O clima de tranqüilidade que tomou conta da votação de ontem em Bauru pode ser traduzido pelo número de ocorrências registradas nos quatro Distritos Policiais (DPs) da cidade, que contabilizaram apenas dois casos de boca-de-urna. Um fiscal de partido e o amigo de um candidato a vereador foram encaminhados à polícia para prestar esclarecimentos depois de serem flagrados fazendo propaganda política.
Cerca de duas horas após o início da votação, um policial militar (PM) avistou o fiscal de partido entregando santinhos de um candidato a vereador em frente à unidade do Serviço Social da Indústria (Sesi) localizada nos Altos da Cidade. Ele foi levado para o 3.º DP e teve o material apreendido.
Segundo o delegado Marcelo Haddad, o fiscal estava com 139 santinhos quando foi surpreendido pelo PM. “Ele alegou que apenas informou o número do candidato para um primo que estava chegando para votar”, relata.
Após prestar depoimento, o fiscal foi liberado. A polícia não informou sua identidade nem o seu partido.
Já no início da tarde, Antônio Carlos Botazin foi flagrado em frente à escola Ayrton Busch, no Parque Jaraguá, entregando adesivos de um candidato a vereador. “Ele confessou que estava fazendo a distribuição para ajudar um amigo”, conta o delegado Elizeu de Freitas Costa, do 1.º DP.
Botazin teve que deixar na delegacia os 442 adesivos que carregava e foi liberado. “Foi feito um termo circunstanciado e esse expediente será encaminhado à Justiça Eleitoral”, explica o delegado.
Ao longo da votação, outras denúncias de boca-de-urna também chegaram à Justiça Eleitoral, mas as averiguações não indicaram a necessidade dos casos serem encaminhados até o DP.
Urnas com defeito
A Justiça Eleitoral de Bauru contabilizou três urnas eletrônicas com defeito. Os equipamentos, instalados nas escolas estaduais Plínio Ferraz, Stela Machado e Mercedes Paz Bueno, precisaram ser substituídos. Houve a formação de pequenas filas até que a troca fosse realizada, mas o fluxo de pessoas foi normalizado logo em seguida.
Na escola estadual Azarias Leite, no Jardim Carolina, outra urna também apresentou problemas, mas voltou a operar depois que uma peça foi trocada.
Para o juiz João Thomaz Dias Parra, responsável pela 23.ª Zona Eleitoral, o número reduzido de urnas eletrônicas substituídas reflete a situação de calmaria vivenciada ontem em Bauru. “Em duas delas, a votação já havia sido iniciada, mas o procedimento foi cumprido à risca e esses votos foram transportados para as novas urnas”, relata.
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Tido como morto, eleitor
acaba impedido de votar
O eleitor Antônio Aparecido Mantovani levou um susto quando chegou para votar na escola Joaquim Rodrigues Madureira, no Parque Vista Alegre. No cadastro da Justiça Eleitoral, consta que ele está morto. “Tenho um primo que tem exatamente o mesmo nome que eu e que morreu depois das eleições de 2002. Isso provocou a confusão”, comenta.
No cartório eleitoral, Mantovani foi orientado a pedir a regularização do cadastro após as eleições. “Eles me disseram que se eu precisar do comprovante de votação para prestar concurso ou em outro caso, devo procurá-los novamente”, diz.
A eleitora Maria de Lourdes Nunes de Andrade também foi impedida de utilizar a urna eletrônica. Ela esteve na 28.ª seção, na escola estadual Moraes Pacheco, no Jardim Bela Vista, mas ficou sabendo que outra pessoa havia votado em seu lugar. “É um absurdo. Eu não tenho culpa se eles cometeram um erro”, critica.
O juiz João Thomaz Dias Parra, responsável pela 23.ª Zona Eleitoral, afirma que quando não é possível solucionar o problema que impede a pessoa de votar no mesmo dia, ela deve se dirigir ao cartório eleitoral e relatar a situação que enfrentou para que as medidas necessárias sejam tomadas.