A equipe de ginástica rítmica bauruense Luso/Octane Motors tem vencido desafios para tentar colocar Bauru no mapa da modalidade no Estado de São Paulo. Uma das únicas equipes do Interior, a Luso/Octane tem se destacado em todas as competições que disputou na atual temporada.
Este ano, as meninas de Bauru foram campeãs em duas categorias - infantil e adulto - da Copa São Paulo, disputada em São Bernardo do Campo. Depois, foram vice-campeãs geral da Taça Metropolitana, na Capital.
Como modalidade não-vinculada (pontua apenas pela participação), as garotas da Luso foram campeãs dos Jogos Regionais, em Jaú, e vice dos Jogos Abertos, em Barretos.
Agora, a equipe treina para a edição do segundo semestre da Copa São Paulo, no próximo dia 6 de novembro, e da Taça Metropolitana, dias 20 e 21 do próximo mês, ambas na Capital.
A Copa SP é uma competição individual, na qual as ginastas se apresentam em dois aparelhos - mãos livres e mais o correspondente de cada categoria. As atletas mirins, de 9 e 10 anos, trabalham com a bola e Bauru será representada por Isabela Moço e Lívia Tojeiro.
Já as do infantil, de 11 e 12 anos, competem com a corda. Nesta categoria, a Luso/Octane terá Amanda Adorno, Marina Rays, Júlia Tiretan e Natalie de Rossis.
No juvenil, para garotas de 13 e 14 anos, o segundo aparelho, além das mãos livres, é a fita. A Luso terá Mariana Rangel e Maria Heloísa Borges na Copa SP.
Karen Aguiar, Thaíse dos Santos, Débora Licre e Lívia Lima, todas com amis de 15 anos competem pela categoria adulto, que trabalha com a maça.
Na Taça Metropolitana, a disputa é por equipe. A técnica e coordenadora da Luso/Octane, Priscila Nagata, está otimista para estas competições. “Fomos muito bem no primeiro semestre. Agora elas têm de melhorar a colocação obtida. As que conseguiram posições destacadas precisam pelo menos manter as notas. Assim, temos condições de voltar com bons resultados”, avalia.
O atual grupo de GR da Luso, sob o comando de Nagata, foi formado há dez anos. “Atualmente nossa escolinha conta com cerca de cem alunas e a equipe com 30, quinze que competem individualmente e 15 em conjunto”, relata.
Mas nem tudo são flores neste esporte de muita beleza plástica. “São muitos desafios. A GR não é uma modalidade que aparece muito. Nós entramos este ano nos Jogos Regionais e nos Abertos, ainda como modalidade não vinculada. Assim, não é muito divulgada e fica difícil conseguir patrocínio. Felizmente, há um mês, conseguimos um patrocinador de peso, a Octane Motors, pela primeira vez em dez anos de atividade, até então nossos patrocinadores eram os pais das atletas”, comenta.
Outra dificuldade que a GR bauruense enfrenta é o fator geográfico. “As grandes equipes do Estado e a Confederação estão na Capital, assim, as competições são todas lá o que aumenta ainda mais nossos custos.”
Este último fator poderia “tirar” atletas de Bauru, o que não preocupa a técnica. “Por estarmos longe da Capital, não temos alguns tipos de apoio. Estamos longe da Confederação, é difícil ir para todas as competições. Não treinamos junto com outras equipes, o que seria um incentivo. Faz falta, mas eu gostaria muito que ‘minhas’ ginastas saíssem, seria motivo de orgulho. Meu trabalho é fazer a base, quando elas precisarem mais do que posso oferecer, acho que têm que buscar fora”, pondera.
A exigência natural de que para ser uma boa ginasta a atleta tem que estar na faixa de cinco a 18 anos, também se impõe como desafio à técnica e às pretendentes. “É preciso muita responsabilidade e, principalmente força devontade, não é fácil ficar num salão fechado treinando quatro horas por dia. Muitas ainda estão na idade de brincar com boneca, outras na idade de namorar e precisam deixar isso de lado para treinar”, revela.
Apesar de Nagata trabalhar também com um grupo de crianças de cinco anos, ainda em fase de experiência, na equipe da Luso, a mais jovem atleta é Lívia Tojeiro, de 8 anos. Ainda com a inibição característica da idade para falar com a imprensa, ela diz que “gosta muito da ginástica”.
Lívia revela que a carga de treinos “atrapalha um pouco, às vezes não muito” suas brincadeiras. Ela afirma que entrou na ginástica por vontade própria. “Eu entrei no ballet, mas fui cansando e procurei outro esporte, então resolvi entrar na GRD”, revela.
A atleta que está há mais tempo no grupo é Mariana Rangel, de 14 anos. “A ginástica já faz parte de minha rotina, faço todo dia. Desde os quatro anos de idade venho treinar e acho muito bom também pelas amizades que fiz aqui. Eu pratico porque gosto muito, não sei se vou chegar a ser profissional. Até sonho em participar de uma seleção, mas acho difícil”, comenta Mariana.
A carga de treinos não a incomoda, nem atrapalha nos estudos. “Tenho prazer no que faço, já me acostumei. Quanto aos estudos, a gente tem que encaixar os horários, estudando um pouco todo dia, para dar tempo. Quando não dá, falto na ginástica e depois reponho, treino mais”, revela a ginasta.