Economia & Negócios

Bancários suspendem greve em Bauru

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 2 min

Em assembléia realizada na noite de ontem, os bancários decidiram suspender a greve em Bauru diante do enfraquecimento do movimento em todo o Estado. Contudo, a categoria mantém o estado de greve, que significa a possibilidade de retorno da paralisação diante de algum fato relevante, como a reabertura das negociações. Ontem, as agências do Banco do Brasil (BB) e da Caixa Econômica Federal (CEF) voltaram a atender o público.

“Em outras localidades a greve continua forte, como em Brasília e Rio de Janeiro. Mas em São Paulo o movimento começou a diluir na semana passada, e conseqüentemente isso se refletiu em várias cidades do Estado. Diante disso, não fazia sentido nós continuarmos com o movimento aqui”, observa o diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região Marcos Silvestre.

Diante do quadro de enfraquecimento do movimento grevista, ontem a Executiva Nacional dos Bancários decidiu apresentar uma contraproposta à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), que prevê reajuste salarial de 19%, pagamento de abono de R$ 1,5 mil para toda a categoria e o não desconto dos dias parados. Os bancários iniciaram o movimento reivindicando 25% de reajuste.

Segundo Marcos Silvestre, está previsto para hoje um ato de protesto em Brasília (DF), em frente ao Palácio do Planalto. Um grupo de bancários, em sua maioria de Brasília, vai tentar falar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o impasse nas negociações entre a categoria e a Fenaban, sobre o desconto dos dias parados, entre outros assuntos, além de buscar apoio junto a senadores, deputados e ministros.

Na última sexta-feira, todos os bancos privados já estavam funcionando normalmente em Bauru, e somente as agências do BB e da CEF ainda estavam fechadas. Do total de 42 agências bancárias na cidade, somente 11 estavam paralisadas. Ontem, segundo informações da gerência regional do BB, as sete agências do banco abriram com efetivo de 100% dos funcionários - dado confirmado pelo próprio sindicato.

Na CEF, a informação oficial é de que o posto de atendimento bancário da Justiça Federal e as agêncidas da rua Agenor Meira e da avenida Nações Unidas abriram com adesão de 100%. A agência localizada na esquina das ruas Gustavo Maciel e Ezequiel Ramos atendeu o público com efetivo parcial, e a unidade do Altos da Cidade permaneceu fechada.

Segundo Silvestre, a greve, que em âmbito nacional entra hoje em seu 21.º dia, é a mais longa dos últimos 30 anos, pelo menos. “Não tenho registros exatos, mas somente na década de 60 ou 50 houve um movimento um pouco maior em termos de duração.”

Para amanhã, a orientação do sindicato é de que os funcionários vão trabalhar vestindo roupa preta em protesto ao posicionamento da Fenaban. Panfletos explicativos devem ser distribuídos a bancários e população.

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