Um dia após o resultado da eleição, o prefeito Moacir Donizete Gimenez, o Zete (PSDB), de Bocaina (69 quilômetros a Nordeste de Bauru), cortou gastos na área da saúde. Entre os serviços atingidos estão o transporte de pacientes para hospitais da região e a distribuição de medicamentos e leite por parte da prefeitura. A medida prejudica especialmente os usuários do Centro de Saúde da cidade, que tem cerca de 10 mil habitantes.
Indignados, moradores consultados pela reportagem acusam o prefeito de retaliação. O candidato apoiado por Zete, Celso Abreu (PSDB), foi derrotado nas urnas no último dia 3 pelo representante da oposição, João Francisco Danieletto (PV).
O prefeito nega as acusações e afirma que os cortes foram motivados pela necessidade de cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). “Eu tenho que sair da prefeitura com as minhas contas em ordem”, diz. “Qualquer que fosse o resultado da eleição, eu teria que tomar essa posição, caso contrário não conseguiria fechar minhas contas”.
Sem constrangimento, Zete reconhece que não adotou a medida anteriormente para não ser prejudicado na disputa eleitoral. O prefeito tenta justificar os cortes na pasta da saúde afirmando que a administração municipal estava gastando mais do que era previsto no Orçamento. “Eu sou obrigado a gastar 15% (na Saúde) e venho gastando 18%. Então, é onde está tendo excesso”, defende Zete, destacando que também cortará os cargos de confiança e horas-extras dos servidores.
Desde o início da semana, de acordo com o prefeito, somente os casos emergenciais do transporte de pacientes para hospitais das cidades vizinhas estão sendo mantidos.
“Alguns remédios que as pessoas necessitam e que não têm condições de comprar, a prefeitura vai continuar comprando. (...) Nós estamos cortando o que era excesso”, reitera.
Segundo Zete, os medicamentos e leite fornecidos pelo governo do Estado continuarão sendo distribuídos no Centro de Saúde. “Os que são distribuídos pela prefeitura serão cortados”, admite.
A reportagem procurou a coordenadora de Saúde do município, Tânia Maria Milani Marangoni, para repercutir o assunto, mas ela não quis conceder entrevista.