Com um projeto criativo e envolvente, alunos da professora Gisele Maria de Figueiredo Matheus, 35 anos, se transformaram em multiplicadores para combater a leishmaniose visceral, que tornou-se um problema grave em Bauru.
O projeto, intitulado “Bauru: no lanche e na leish” ficou tão legal que a educadora Gisele recebeu o prêmio “Professor nota 10”, juntamente com outros 11 projetos, que foram selecionados entre 3.281 inscritos em todo o Brasil. A premiação foi feita pela Fundação Victor Civita e ocorreu na semana passada, em São Paulo. Pela primeira vez, em sete anos, Bauru é selecionada entre os 12 finalistas.
Essa professora maluquinha dá aula em três escolas diferentes e pôde contar com a participação de todos os alunos para a elaboração do projeto. Os alunos da Escola de Educação Infantil e Ensino Fundamental Criarte foram os que mais participaram, porque lá a Gisele dá aulas de ciências todos os dias.
A turminha do Preve Júnior pôde contar com a professora como multiplicadora: “Lá eu dou aula de música, então infelizmente não foi possível levar todo o projeto”. Já os alunos da Educação de Jovens e Adultos do Sesi participaram de uma forma diferente, pois são gente grande. “Trabalhamos com o conteúdo do jornal, observando o que eles já sabiam sobre a doença”, explica Gisele.
A educadora ficou muito feliz em ser selecionada. “A premiação é um investimento muito grande para a educação. É o oscar da educação”, exemplifica. Ela já havia participado em outras duas edições, em 2001 e 2003, e no ano passado ficou entre os 50 finalistas.
Garotada multiplicadora
Os alunos da Criarte mergulharam de cabeça no projeto “Bauru: no lanche e na leish”. Fizeram pesquisas e puderam conferir seus resultados na própria escola. “Primeiro nós fizemos um pré-teste para saber o que já tinham de informação sobre a doença. Eles descobriram que não tinham idéia do que realmente era a leishmaniose visceral e começaram a pesquisa”, comenta Gisele.
A turma da 5.ª série pesquisou sobre a cidade de Bauru, os alunos da 6.ª elaboraram a proposta de multiplicação da informação e começou a batalha. “Eles passaram informações sobre a doença a todos os alunos da escola de formas diferentes, com teatro, apresentações. Até os pequeninos aprenderam.”
____________________
Conheça a doença pelo olhar da criançada
"Eu aprendi que nós não podemos jogar lixo no chão, porque o mosquito palha se desenvolve no lixo. A leishmaniose só tem cura para os humanos, e os pássaros não pegam, porque seu sangue é muito quente. Animais como jacaré e tartarura não pegam também, porque têm o sangue muito frio."
Felipe, 3.ª série
“Com a apresentação, aprendi vários modos de se proteger contra a leishmaniose. Como o mosquito palha, transmissor da doença, vive em locais com matéria orgânica em decomposição, não devemos jogar lixo em terrenos. Se tivermos canil, chiqueiro, devemos mantê-los limpos, pois além do mosquito picar os humanos, ele também pica os animais. Temos que tomar cuidado!”
Liliana Guimarães, 5.ª série
“A doença leishmaniose é transmitida pelo mosquito palha. O macho se alimenta de seiva natural e a fêmea precisa de sangue para sustentar seus ovos. Quando o mosquito morava na floresta, a fêmea picava estes animais: raposa, gambá e macaco.
Os dois tipos da doença são visceral e tegumentar. No homem, as doenças já têm cura, mas se o cão pegar a doença, ele será sacrificado. Os roedores, como ratos e ratazanas, também terão que ser sacrificados.”
Marina Kaiser, 3.ª série
“A leishmaniose está atacando a nossa cidade! E muita gente por aí continua deixando o lixo exposto ao ar livre, deixando a casa suja. Esse é o primeiro tipo de opinião sobre a doença: ‘Tô nem aí, tô nem aí!’.
Há aquele tipo de gente que acha que sabe do assunto e fala que a solução é ficar matando todo mosquito que ver pela frente, dizendo que só assim estaremos livres desse seríssimo problema. É a segunda opinião.
Mas existe gente que se preocupa realmente com a cidade e quer o bem para ela: o terceiro e correto modo de se pensar na leishmaniose. Esse é o tipo de gente que se interessa em conhecer a doença para tentar achar a solução. Pensam que não é preciso matar todos os mosquitos, porque além deles serem uma criação de Deus, sua extinção causará o desequilíbrio na cadeia alimentar. A solução é acabar com o protozoário, é ele quem causa a doença.
O mosquito palha não tem culpa de transmitir a doença. A fêmea da espécie nos pica porque precisa de sangue quente para maturar seus ovos.
Cuidado, porque você aí sentado ou em pé, alto ou baixo, gordo ou magro, careca ou cabeludo, não importa como é, pode estar contaminado.
Mas não se preocupe em passar a doença para ninguém. O mosquito é o único transmissor. Também esteja ligado para não confundir com leucemia, por exemplo, a leishmaniose, ou para não deixar de tratar qualquer febre ou tosse seca, pois a ‘leish’ tem muitos sintomas que para você podem ser apenas uma febrinha, mas na verdade pode ser o começo de muitas mudanças no dia-a-dia.”
Laura Zanella, 5.ª série
____________________
Dicas
• Mantenha casa e quintal limpos
• Recolha folhas, fezes de animais e restos de madeira
• Embale o lixo corretamente
• Coloque telas nas portas e janelas com malha 70
• Evite que o cão durma dentro de casa
Sintomas
No cão
Emagrecimento, fraqueza, queda de pêlos, vômito, febre regular, crescimento das unhas, feridas no focinho, nas orelhas e nas patas. Não existe tratamento para o animal, a doença não tem cura.
No homem
Febre prolongada, tosse seca, emagrecimento, crescimento do baço e do fígado, fraqueza, diarréia e, em casos mais graves, sangramento na boca e no intestino. Existe tratamento para o homem, se a doença for descoberta no início.
Exposição
Exposição de projetos na Criarte, no dia 23 de outubro, das 9h às 17h. Serão apresentados jogos baseados nos conceitos da leishmaniose. Entrada aberta ao público. A Criarte fica na rua Antônio Alves, 31-51.