O bauruense Maurício Sponton Rasi, 35 anos, é o novo prefeito de Porto Ferreira, município paulista localizado 50 quilômetros a leste de São Carlos. Ele foi eleito pelo PT com 10.065 votos, 33,7% dos 29.793 eleitores que compareceram às urnas no último domingo.
Formado em direito pela Instituição Toledo de Ensino (ITE), Rasi ainda tem ligações familiares com Bauru. Seus pais e familiares moram na cidade. Ele reside em Porto Ferreira desde 1992, quando assumiu o cargo de delegado de polícia do município.
Em Bauru, atuou como escrivão do Grupo de Operações Especiais (GOE) antes de prestar concurso público para delegado. Em 1992, foi empossado na Polícia Civil em São Paulo, mais especificamente na Corregedoria.
No ano passado, Rasi ganhou notoriedade na grande imprensa por ter apurado o envolvimento de vereadores de Porto Ferreira com prostituição infantil e pedofilia. Sete parlamentares foram presos, além de empresários e comerciantes.
Mas o petista credita sua vitória ao espírito de mudança que a população da cidade desejava, já que, a exemplo de Bauru, Porto Ferreira também teve prefeito cassado e graves denúncias de desvio de verbas.
Embora a apuração do escândalo sexual tenha repercutido positivamente, Rasi explica que também sofreu o efeito negativo do caso. Os vereadores que foram presos compunham a base de sustentação do atual prefeito. O grupo político tentou inverter a situação ao se declarar vítima, argumentando que tudo não passava de uma armação com interesses eleitoreiros.
“Colhi mais ou menos 100 depoimentos em 18 dias. Relatamos o inquérito, enviamos para o Fórum e o promotor imediatamente ofereceu a denúncia e pediu a prisão preventiva dos envolvidos”, lembra.
Mas a atuação do delegado não se limitiva apenas às suas atividades profissionais na polícia. O novo prefeito sempre esteve envolvido em trabalhos sociais.
“Eu esperava ser eleito. Fizemos uma campanha muito bonita. Fizemos 14 palestras na comunidade e 29 comícios. Percorremos todos os bairros, todas as empresas de cerâmica. Trabalhamos muito para construir a nossa candidatura”, relata.
“Pé no chão”
Rasi se considera um político “pé no chão”. Diz que sabe das dificuldades que vai encontrar na administração da cidade, cuja base econômica está diretamente ligada a atividade cerâmica.
“O município tem uma dívida alta, de R$ 18 milhões. Sua arrecadação mensal é de R$ 3,5 milhões. Vou tentar construir a base na Câmara, que tem dez vereadores. O PT elegeu dois. Calculo que deveremos ter de seis a sete parlamentares do nosso lado”, estima.
Uma das propostas da nova gestão que vai se instalar em Porto Ferreira é a criação da Secretaria Municipal da Cidadania. “A cidade está parada no setor de saúde, de geração de empregos e também na parte de inclusão social. As políticas públicas e sociais estão desconexas”, conta.
A intenção de Rasi é instalar um governo participativo e implantar um novo plano diretor. “Para isso, todas as associações deveriam estar legalizadas e quase nenhuma está. Vamos criar a Secretaria Municipal da Cidadania para cuidar disso”, adianta.
Um dos principais problemas que o novo prefeito vai enfrentar é a relação da folha de pagamento com a Lei de Responsabilidade Fiscal, que determina que esse gasto não pode ultrapassar 54% da arrecadação. Atualmente, o município está com 61% da arrecadação comprometida com o pagamento do funcionalismo.