Tribuna do Leitor

POR QUE ELES QUEREM TANTO?


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Toda eleição é sempre a mesma coisa, os candidatos brigam com foice no escuro pela cadeira do alcaide e depois de eleitos começam a reclamar que não existe verba para fazer o que prometeram fazer durante toda a campanha.

Às vezes nos perguntamos se é mesmo tão necessário termos um representante na Prefeitura, que a rigor sofrerá de amnésia profunda a partir de sua posse. Negará todas as promessas que fez em campanha e nas quais muitas vezes acreditamos e ainda por cima não realizará uma única grande obra que nos faça sentir orgulho no futuro por nossa opção eleitoral.

Para os candidatos tudo é possível, porém, depois de eleitos, até as mais simples das realizações se tornam novelas mexicanas e se arrastam por anos á fios.

Normalmente a preocupação em acomodar correligionários, simpatizantes, membros da coligação e companheiros de partido consomem boa parte do tempo que poderia ser aproveitado para planejamento da gestão. Em seguida, perde-se mais tempo no trabalho de convencimento dos vereadores da oposição para que passem a fazer parte da odiosa “base governista”, garantindo que se o alcaide não o fizer ninguém poderá faze-lo sem o consentimento da sua base.

E assim os anos passam, o nosso desgosto aumenta e nos afastamos cada vez mais das coisas da política. Não nos filiamos a partido algum e com isso deixamos que meia dúzia de espertalhões ditem as normas em cada partido. Isso acaba contaminando toda sociedade civil que ao invés de se organizar para poder fiscalizar e cobrar resultados, acaba sendo enganada facilmente pelas manobras radicais dos espertos políticos brasileiros.

Ao invés de políticas públicas, nos enchem de assistêncialismos baratos, como aqueles políticos que vivem arrumando vagas em hospitais e ambulâncias para municípios em troca de votos, num círculo vicioso que enoja. Ao invés de planejamento quadrienal, somos obrigados a engolir uma política de retalhos sem qualquer direção e que apenas favorece meia dúzia de apaniguados entre aliados e correligionários.

É difícil o amadurecimento do processo democrático se nele não estiver contido o respeito aos cidadãos, a ética acima de tudo e a total e irrestrita prática da política de transparência absoluta das gestões públicas. Sem o que ficaremos nessa dança eventual de cadeiras a cada quatro ou até oito anos sem que nossas cidades consigam evoluir definitivamente em qualidade de vida, infra-estrutura e políticas sociais consistentes e definitivas. (Rafael Moia Filho)

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