O primeiro debate do segundo turno das eleições em Bauru foi marcado por reclamações de Tuga Angerami (PDT) e Caio Coube (PSDB) sobre a prática de ataques elaborados por militantes levados ao eleitorado com a intenção de desestabilizar as candidaturas. O assunto, comentado com mais freqüência nos bastidores, ganhou dimensão pública a partir de acusações entre os adversários no encontro de ontem realizado pelo SBT e TV USC em parceria com a rádio 94 FM, rádio Veritas FM e Jornal da Cidade.
O debate foi levado ao ar ao vivo pelas duas emissoras, com retransmissão da TV Câmara, direto do auditório do teatro da Universidade do Sagrado Coração (USC). A discussão sobre a postura ética na campanha eleitoral gerou os momentos de maior tensão no debate. Segundo os próprios candidatos, enquanto a disputa caminha em alto nível nos eventos oficiais, nos bastidores os militantes estariam se valendo de métodos rasteiros para tentar derrubar as intenções de voto dos dois lados.
Caio Coube puxou o assunto recordando crítica feita por Tuga, quando este disputou a prefeitura, em um confronto com o atual deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) no ano 2000. “Na campanha de 2000 você não foi ético, ridicularizando a colônia árabe”, atacou Coube.
Tuga disse que não houve ofensa à colônia árabe, mas uma resposta do seu grupo às insinuações dos tucanos de que ele iria privatizar o Departamento de Água e Esgoto (DAE) na época. “Fui atacado e reativo naquela campanha. Mas vejo que a cidade não quer ataques. Está acontecendo um processo de plantão de boatos em filas de banco e outros lugares e eu sou a vítima”, reagiu Tuga.
Mas o candidato do PSDB rebateu que a alimentação de boatos vem dos adversários e contra sua candidatura. Depois, Caio acusou Tuga de utilizar o voto de indecisos de pesquisa eleitoral para induzir a uma vitória no primeiro turno.
Em seguida, Angerami voltou a afirmar que está sendo vítima de difamação com ataques pessoais criados por plantadores de notícia. “Se você conhecer quem está pagando esse pessoal, peça para parar”, comentou Tuga.
No intervalo do programa de ontem, o tema ainda alimentou um comentário entre os adversários. Caio se virou para Tuga e disse que ele quem começou. Tuga pediu que Caio “segurasse” seu pessoal que ele cuidaria da sua equipe. O tucano alfinetou que o concorrente é especialista na estratégia.
Ao final do debate - que transcorreu em bom nível mesmo com as alfinetadas políticas -, Caio Coube comentou sobre os boatos que teriam sido levantados na campanha contra sua candidatura. “Criaram boatos de que eu vou privatizar o DAE, municipalizar o ensino. São informações que estão levando há muito tempo por aí”, reclamou.
Tuga criticou que está sendo vítima de ataques pessoais. “Essa história de contar mentira fica fácil de identificar no segundo turno. Estão plantando questões de ordem pessoal, sem respeitar a minha família. Sou casado há 31 anos, tenho filhos aqui. Estão dizendo que eu não moro em Bauru, que moro em Campinas, que estou com sérios problemas de saúde. É um absurdo, visito meu neto em Campinas quando posso e estou muito bem de saúde”, citou.
Comparações
Já em relação ao conteúdo, o debate de ontem serviu para levantar as primeiras chances de comparação de estilo. O evento foi mediado pelos jornalistas Hermano Henning (SBT) e Luiz Victorelli (TV USC), com participação de perguntadores, entre os quais o jornalista Paulo Sérgio Simonetti (rádio 94 FM).
No primeiro bloco, os candidatos foram convidados a apontar um pedido que fariam para um gênio em relação à cidade. Tuga disse que não acredita em soluções mágicas, mas na força do trabalho. Caio disse que pediria ao gênio que o ajudasse a realizar os anseios da população, como saúde, asfalto, tratamento de esgoto, esporte e cultura.
O tucano aproveitou o evento para repetir que, em sua visão, o último ciclo de desenvolvimento da cidade ocorreu há pouco mais de 20 anos. A fala é uma forma indireta de não considerar o governo do ex-prefeito Tuga neste ciclo, entre 1983 e 1988.
Depois, o tucano elencou asfalto, saúde, emprego e renda como as prioridades no início do governo. Tuga foi questionado sobre o alcance de sua reforma administrativa. Ele respondeu que vai realizar a racionalização de estruturas do governo, mas não indicou em quais setores.
No bloco seguinte, Tuga quis saber de Caio a razão de seu plano de governo incluir a guarda municipal. O adversário disse que vai estudar a criação da estrutura, mas ainda não discutiu se isso é viável. Tuga se posicionou contra a guarda municipal comentando que esta estrutura tem apenas função de vigilância sobre o patrimônio, sem atuar no setor de segurança pública.
Caio reagiu dizendo que a eleição ainda não está definida e que vai continuar discutindo as propostas. Ele disse que vai implantar unidades móveis da Polícia Militar em trailers, ao invés de instalar novas bases operacionais.
Indagado sobre as dificuldades do orçamento, Tuga disse que vai apertar o cerco contra os grandes devedores que não pagam impostos. Na réplica, o pedetista voltou a comentar sobre a proposta de vender terrenos ociosos para um fundo de pavimentação.
Depois, os concorrentes à prefeitura de Bauru concordaram que é preciso discutir com o Ministério Público (MP) local um cronograma de ações compatível com as limitações orçamentárias do município. As citações foram feitas em relação aos acordos assumidos e não cumpridos pelo atual governo no combate a enchente e erosões e na conclusão do tratamento de esgoto. O descumprimento das metas gerou ações de execução de multa diária contra a prefeitura.
No final, Caio voltou a provocar Tuga dizendo que este trouxe pouca contribuição para a cidade no período em que foi deputado federal. Tuga disse que conseguiu trazer muitos benefícios, como mais de R$ 8 milhões para hospitais, e que depois ficou isolado por ter se posicionado contra o programa de privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
Caio criticou que o então deputado Tuga votou sistematicamente contra o PSDB na Câmara dos Deputados. “Isso é estrelismo. Falta vestir a sandália da humildade”, atacou. Tuga rebateu dizendo que foi coerente com a população. “Defendi os interesses da população contra a venda de estatais que o seu governo do PSDB fez, esquecendo os compromissos que tinha assumido”, reagiu.