Sangue, móveis violados e um corpo no chão. A cena do crime, que exige a presença de um perito para desvendá-lo, pode não mudar muito de um país para outro. Porém, as metodologias empregadas para solucioná-lo variam em cada canto do mundo. A do Brasil vem sendo observada por um grupo de japoneses que está em Bauru para participar amanhã de um seminário.
O evento promoverá um intercâmbio de informações entre três peritos japoneses e cerca de 80 de Bauru e seis cidades da região ligados ao Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Técnica Científica. Apesar das diferenças geográficas, econômicas e culturais, Japão e Bauru já sabem que têm algo em comum: nos dois casos o furto é o primeiro colocado no ranking de perícias.
Em Bauru e região, a cada plantão de 24 horas, um perito atende, em média, oito casos de furto. Somando os registros dos primeiros oito meses deste ano e multiplicando pelo total de peritos que participam da escala (seis), os furtos passam de 1.900. No mesmo período, o total de crimes da mesma natureza em Osaka chegou a 135.094.
Os números poderiam ser favoráveis para a região de Bauru, se a província japonesa não tivesse sete milhões de habitantes. Os percentuais são ainda mais díspares. Na mesma cidade foram registrados 94 homicídios neste ano, quando na região de Bauru, cuja concentração populacional é de cerca de 700 mil, o número já ultrapassa os 60. O jogo de algarismos é ainda mais cruel. Em Osaka, 300 peritos compõem a equipe. Em Bauru eles somam 17.
“A incidência (de crimes no Brasil) é maior na ordem de dúzias de vezes em comparação com o Japão. O que a gente pode observar é que existe falta de mão-de-obra e maquinário. A perícia é muito importante para se alcançar índices de criminalidade baixos. Precisa aumentar o orçamento (no Brasil)”, diz o perito de Osaka Ryoichi Ikimori.
Avanço
No entanto, na opinião do diretor do Núcleo de Perícias Criminalísticas da Polícia Científica de Bauru, Hélio de Almeida Rochel, o intercâmbio já é um indício da disposição do governo paulista de se avançar na área. Nesse sentido é que o grupo de japoneses passou a observar as atividades da perícia no local do crime. Conhecendo a realidade local fica mais fácil trocar experiências durante o seminário.
Desde o dia 25, quando chegaram ao País, os três já fizeram a mesma análise em São Paulo e Santos. Depois de passarem por Bauru, ampliam a observação em Campinas. A idéia de intercâmbio entre Brasil e Japão surgiu quando o grupo nipônico esteve em Belém (PA) há três anos. Na ocasião, ele fizeram uma visita técnica à Polícia de São Paulo, que demonstrou interesse na cooperação específica com a Polícia Científica.