Uma boa notícia para quem tem medo de trovoada, quando podem cair raios: em média, apenas 20 dias por ano esse fenômeno da natureza provoca sustos em Bauru. Em cidades como Jaú, a incidência é mais freqüente e chega a 106 dias por ano. Mas independentemente das freqüência, os números que constam em livros de engenharia apenas reiteram a necessidade que o homem tem desde os primórdios de se proteger das descargas elétricas.
Por causa delas, Cátia Tobias Colombo, grávida de cinco meses, morreu anteontem após ser atingida por um raio durante uma chuva que surpreendeu Bauru. Talvez, se ela conhecesse os riscos, não tivesse corrido para o varal de arame para tirar suas roupas.
O fio de metal serviu como condutor de um raio, cuja corrente elétrica pode variar de dois mil e 200 mil ampères. Um chuveiro ligado em 220 volts tem em média 24 ampères, explica o professor do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), Luiz Porto, que dispõe dos números referentes à quantidade de trovoadas por ano (índice ceraúnico).
De acordo com ele, nem os pára-raios são 100% seguros contra as descargas elétricas. “Consta no item 4 da norma brasileira 5.419 que um sistema de proteção projetado e instalado (adequadamente) não pode assegurar uma proteção absoluta. Ela é de 98%”, alerta. Além disso, a área de proteção é variável e depende do ângulo em que o pára-raio for instalado.
“O pára-raio oferece (apenas) uma certa proteção. O Brasil é atingido por 100 milhões de raios por ano. Se fosse algo diluído, (a incidência) não seria tão grande. Mas (os raios caem) só em períodos de chuva”, afirma o coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito.
Chance
Uma pesquisa realizada pelo Grupo de Eletricidade Atmosférica do Instituto de Pesquisas Espaciais concluiu que o Brasil é o país mais atingido por raios do mundo. Conforme o JC já divulgou, o estudo apresentado no ano passado considerou análises de imagens de satélites registradas nos quatro anos anteriores. Segundo o grupo, a chance de uma pessoa ser atingida por um relâmpago é algo em torno de uma para um milhão.
No entanto, além da vítima fatal de anteontem, também foi atingido por uma descarga elétrica, em novembro de 2001, o fazendeiro de Reginópolis Ivo Zanata. Ele também não sobreviveu. Ivo estava no pasto de uma fazenda, quando o raio atingiu uma cerca que estava sendo consertada por ele.
Por causa do feriado prolongado, ontem o Corpo de Bombeiros não dispunha de estatísticas que apontassem o total de mortes provocadas por essa razão em Bauru nos últimos anos. Mas os números só não são maiores porque apenas 10% dos 100 milhões de raios caem na terra. Os outros 90% ficam entre nuvens.
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Raios
Para toda esta semana, o Instituto de Pesquisa Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) prevê mais raios e trovoadas. Ainda só não está certa a possibilidade de quedas de granizo.
De acordo com a meteorologista Lúcia Gularte, a previsão é a mesma para todo o Estado de São Paulo. “A frente fria (sobre o Estado) se desloca amanhã (hoje) para o Rio de Janeiro, mas na quinta entra outra”, diz. Durante esse período, a temperatura vai permanecer estável, com máximas entre 27 e 29 graus.
O clima é típico da primavera, quando a incidência de raios e trovoadas é maior na região Sudeste por causa da umidade vinda da Amazônia e dos fortes ventos que trazem as frentes até a região.