Ainda muito abalados com a morte de Cátia Tobias Colombo, 22 anos, membros da família queixavam-se ontem, durante o velório, sobre o atendimento prestado à vítima. Eles alegam que a Unidade de Resgate do Corpo de Bombeiros demorou mais de 30 minutos para chegar ao local do acidente e que os médicos do Pronto-Socorro Municipal Central (PSM) não se mobilizaram para ajudá-la.
Cátia morreu após ser atingida por um raio durante a chuva que caiu em Bauru no final da tarde de anteontem. De acordo com informações da família, ela estava mexendo no varal de arame, no quintal de sua residência, na Vila Zillo, quando sofreu a descarga. Seu marido, César Fermino Gomes, também foi atingido. Cátia estava grávida de cinco meses e foi enterrada ontem à tarde. O casal tem dois filhos, de 5 e 2 anos.
De acordo com a irmã da vítima, Sandra Regina Tobias, Cátia foi levada para dentro de casa logo após sofrer a descarga. Ao mesmo tempo, outro familiar acionou o Corpo de Bombeiros, mas Sandra alega que, 30 minutos depois, a Unidade de Resgate ainda não havia chegado à residência da vítima. “Conseguimos arrumar um vizinho que tem carro e ele levou a Cátia e o marido dela para o pronto-socorro, porque a ambulância ainda não tinha chegado”, diz.
Gomes conta que teve de tirar sua esposa de dentro do carro sozinho e colocá-la em uma maca no PSM. “Ninguém me ajudou. E eu estava com o braço paralisado porque o raio me acertou também”, observa.
Ontem, o médico plantonista João da Fonseca Júnior afirmou ao JC que Cátia já chegou ao PSM sem vida e que também não foi constatado movimento fetal. Gomes, que também havia sido atingido pela descarga, recebeu atendimento e foi liberado. Ontem, ele já havia recuperado os movimentos do braço direito, mas ainda sentia muita dor.
Segundo o tenente Cláudio Ribeiro, do Corpo de Bombeiros, o Centro de Operações dos Bombeiros (Cobom) recebeu uma ligação requisitando resgate para a vítima, e logo em seguida, outra ligação dispensou a presença da viatura de resgate pois Cátia seria transportada para o PSM em um carro particular. “Tivemos a primeira ligação e logo em seguida uma segunda, com uma pessoa dizendo que não precisava mais”, afirma.
O tenente orienta a família a procurar o Quartel dos Bombeiros para registrar a ocorrência e para que a reclamação seja apurada. “Essa situação é complicada, porque em qualquer atendimento, um segundo é vital para os bombeiros, e especialmente num caso de raio”, conclui Ribeiro.