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Sem dinheiro para os presentes, pais pedem compreensão a filhos

Diego Molina
| Tempo de leitura: 4 min

Enquanto a mídia vende a necessidade de presentear e a felicidade de receber brinquedos, roupas, sapatos, bicicletas e tantos outros produtos embalados em papel colorido, muitas crianças, em seu dia, aprendem a se contentar com um abraço apertado, um beijo emocionado e um pouco de atenção dos pais, que passam o feriado a seu lado. Para os adultos, sem condições de satisfazer os sonhos imediatos de uma boneca ou uma bola nova, resta o desejo de oferecer aos filhos um futuro com melhores oportunidades.

É o que diz a doméstica Sônia Pereira Goulart, enquanto assiste seu filho jogar bola. “Eu gostaria que as crianças que não vão ganhar presentes tivessem uma oportunidade de aprender alguma coisa que os tirasse da rua”, aponta.

Moradora do Jardim Ivone, ela conta que as crianças do bairro passam a maior parte do dia brincando na rua e nos terrenos desocupados, nos horários em que não estão na escola. “Se eles estudam à tarde, passam a manhã brincando na rua e a gente não tem condição de ficar em casa cuidando, porque todo mundo trabalha. Se eles tivessem alguma coisa para ocupar o tempo e que lhes desse um bom futuro, seria o melhor presente”, deseja Sônia.

A dona de casa Sueli de Almeida Oliveira relata que sua filha Thalia lhe pediu uma boneca mas a família não poderá satisfazer o desejo da menina. “Não temos condições. Pelo menos agora, não vai dar. Ela até comentou que faz tempo que quer essa boneca, mas eu respondi que nesse mês não vai dar. Eles vêem outras crianças com brinquedos e querem também, mas a gente tem de explicar que agora não dá. Eu gostaria de poder dar muitos brinquedos e roupas para ela”, comenta.

Para a dona de casa Roseli Dias dos Santos, é difícil ter de explicar aos filhos que eles não ganharão presentes no Dia das Crianças. “A minha (filha) maior pediu um presente para o pai dela, mas explicamos que agora não será possível. Não temos como comprar presente só para um deles, tem que ser para todos. Então eles precisam entender que não temos condições agora”, diz.

Se pudesse, Roseli diz que daria muitos brinquedos, roupas e sapatos aos cinco filhos. “Mas como a gente não vai poder dar nada amanhã (hoje), a gente dá um abraço, um beijo, um carinho e explica que, quando tiver condições, compra algum presente para todos. Devagarinho, eles precisam entender que a situação está difícil”, emociona-se.

A doméstica Dalila Martins de Souza Slompo relata que seu filho lhe pediu uma bicicleta nova no Dia das Crianças, já que a dele está quebrada. Assim como outros pais, ela não poderá atender o pedido e terá de explicar o motivo ao filho, com dor no coração. “Eu gostaria de dar muitos brinquedos, não só para meu filho mas para todas as crianças aqui. As crianças são abençoadas e têm o direito de brincar. Esse seria o meu desejo: dar muita felicidade para todas as crianças”, completa.

O outro lado

Conscientes de que muitas crianças, assim como eles próprios, não receberão presentes neste Dia das Crianças, um grupo de meninos moradores do Jardim Ivone conta que só desejava mesmo uma bola de futebol nova e mais alguns dias sem aula. Mesmo já saindo da infância, os garotos só querem saber de aproveitar o feriado. “Nossa bola é muito leve. Eu queria ganhar uma bola oficial, de couro, para ficar jogando aqui no campinho”, diz Denis Augusto Ferraz, 14 anos.

“Não temos aulas nesses dias e a gente adora jogar bola e ficar brincando. Se pudesse escolher, eu queria ganhar um jogo de uniformes para a gente montar o nosso time”, completa Adriano Teodoro, 14 anos.

Já Douglas Alfini, 10 anos, conta que gostaria de ganhar muitos brinquedos, afinal, ele não gosta muito de jogar bola. “Eu queria um monte de carrinhos para brincar com todo mundo”, diz. Thalia Oliveira, 5 anos, e Miriam Mathias, 5 anos, preferem as bonecas. “Eu queria uma boneca nova para a gente brincar, mas minha mãe não pode me dar agora”, lamenta Thalia.

Se pudessem inverter a situação e presentear seus pais, as meninas, juntamente com Josué Mathias, 4 anos, comentam que levariam suas mães para passear nesse Dia das Crianças. Os meninos encheriam os pais de presentes, de bicicletas novas a perfumes e roupas. “Eu não ia ficar só no perfume. Ia dar uma correntinha e um par de brincos para minha mãe. Eles merecem, assim como todas as crianças merecem muitos presentes”, finaliza Denis.

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