Política

Falta de ética põe entidades em alerta

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Boatos com todos os tipos de ofensa à honra dos dois candidatos a prefeito e de seus familiares que circulam pela cidade e mais ataques pontuais nos programas eleitorais gratuitos que começaram ontem preocupam as entidades organizadas que defendem a ética na política. A adoção no esquema de campanha do dito popular de que “o fim justifica os meios” é reprovada por esses segmentos.

O pastor Edson Valentim, do Conselho de Pastores Evangélicos de Bauru, faz duras crítica a esse jogo político eleitoral negativo que, na sua opinião, só empobrece a disputa à Prefeitura de Bauru.

“O candidato que para chegar lá faz qualquer coisa não merece a confiança do povo”, afirma. Valentim avalia ainda que o eleitorado de hoje tem bom senso. “Se acham que podem enganar falando o querem não vão conseguir. O povo de hoje está muito mais maduro. Sabe discernir o que é certo e errado, o que é mentira e verdade”, reforça.

Na avaliação do professor Carlos Alberto Albertuni, da disciplina de ética do curso de filosofia da Universidade do Sagrado Coração (USC), o candidato que usa seu espaço no rádio, na TV e na campanha de rua para denúncias que não têm argumentos consistentes acaba provocando um efeito retroativo.

“O que pode ser explorado são fatos consumados, já apurados e com punição. Isso não seria má-fé porque todo povo tem o direito de ter o conhecimento de fatos que aconteceram na história desses políticos”, pondera.

Na opinião dele, quando se tenta desmerecer as idéias de um candidato através de ataques pessoais se configura uma falácia. “Essa atitude é antiética. Manipular a imagem, a linguagem enquanto discurso numa tentativa de induzir as pessoas não deve ser explorado. A população deve ficar atenta”, afirma.

Para Albertuni, os boatos plantados com a intenção de atingir um determinado candidato depreciam a política. “Esse tipo de coisa corrobora para que o povo tenha a impressão de que a política é suja. O político é alguém que educa, é um formador de opinião. Essa atmosfera da boataria só vem a denegrir o valor e a importância da política”, observa.

Regressão

O Conselho Diocesano de Leigos e Leigas de Bauru também está atento ao que está ocorrendo nesse início de campanha do segundo turno. “A nossa posição é de repúdio a esse tipo de política. O que gostaríamos de discutir são coisas sérias, como as propostas concretas dos candidatos”, comenta.

Zanata analisa com restrições o posicionamento dos candidatos a prefeito que costumam vincular suas imagens a de outros ocupantes de cargos na esfera estadual e federal. “É questionável afirmar que o candidato A, que tem ligações com o governador do Estado, terá mais facilidades na relação ou que o candidato B terá acesso ao presidente da República. Será que o governador e o presidente da República não governam para todos?”, pergunta.

Para Zanata, essa forma de fazer campanha deseduca a população e não contribui para o fortalecimento da democracia. “Pelo contrário. A impressão que se tem é que vamos retornar a política antiga, nefasta. Temos uma oportunidade de ouro para avançarmos na democracia.”

Já o presidente da Subseção de Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Edson Reis, lembra que o compromisso com a ética assinada em carta por todos os candidatos a prefeito ainda na campanha do primeiro turno está em vigor.

“A carta de compromisso, além de ser extensiva ao segundo turno, também vale para o candidato vencedor das eleições que vai assumir a administração”, lembra. “A carta é um documento público que pode ser utilizada por qualquer um. Quem tiver provas, podemos até propor a abertura de uma ação, desde que se prove que a pessoa agiu de forma antiética”, alerta.

Comentários

Comentários