O jornal inglês Independence fez um estudo sobre a criminalidade e classificou o Rio de Janeiro como a "cidade da cocaína e da carnificina". Sem levar em conta a carnificina que os ingleses promovem no Iraque, podemos dizer que a culpa da violência no Rio é de nossa própria hipocrisia. Você pode, hipoteticamente, entrar em uma boate, beber 1 litro de uísque e arranjar confusão com todo mundo. É liberado. Mas fumar um baseado não. É proibido.
Do que o governo, ou sei lá qual instituição, está querendo nos proteger? O problema da criminalidade no Rio ou em outras cidades seria resolvido com uma “canetada”. Todos os traficantes perderiam o emprego.
Mas será que todo mundo não iria ficar muito louco, afundando o país?
Eu acho que não. Nunca se bebeu tanto nos Estados Unidos como no tempo da lei seca. E no dia que resolveram liberar, um monte de gente tomou um porre, mas depois tudo voltou ao normal.
Ah!, mas você diz isso porque não tem um filho!
Tenho. Tenho uma filha de 5 meses e é claro que ficaria preocupado com ela diante da realidade das drogas, mas prefiro me preocupar diante de um médico e não de um delegado. Prefiro resolver o problema com um psiquiatra e não com o traficante. O governo gastaria infinitas vezes menos dinheiro se promovesse um programa de reabilitação para quem se der mal. Tentar acabar com o tráfico é uma burrice. Cada vez que um traficante é preso, tem mais cinco querendo entrar no lugar dele. É um fenômeno darwinista. A TV diz que você só é bom se tiver o tênis Y. Então todos vão atrás disso, seja na bolsa de valores, seja vendendo crack.
No livro “A Sociedade em Rede”, de Manuel Castells (prefácio do Fernando Henrique), a grana da informática só perde para as indústrias farmacêuticas e para o crime, senhor absoluto do lucro capitalista. Então está na hora de tirarmos um pouco do dinheiro deles. A humanidade sempre se drogou, mas o problema só veio à tona no século XX, quando os americanos milionários do “cotton belt” viram seus lucros ameaçados pelo cultivo da Cannabis (maconha), que substituía com menos custos os produtos de algodão. Desculpem-me, mas não há outra solução.
Luís Paulo C. Domingues - RG 17115765-5