Tribuna do Leitor

Candidatura e leis


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É impressionante como muitas pessoas, para se eleger, perdem (ou não tem) acuidade mental aguçada o suficiente para não cometerem incoerências absurdas. Já existe esta magnanimidade do poder público para com as classes mais abastadas, enquanto os menos favorecidos pagam rigorosamente seus impostos por medo das conseqüências. Um vereador já disse recentemente que se fosse publicada a lista dos maiores devedores de impostos ao município, seria uma “bomba” que explodiria na cidade.

Vimos na campanha do Primeiro Turno vários candidatos se colocando contra os radares na cidade ou na rodovia Marechal Rondon, dizendo, inclusive, ser um absurdo os radares ficarem escondidos. Outro candidato falou em retirar radares e colocar lombadas eletrônicas para educar a população. É risível esse argumento. Para educar existem as placas de sinalização e a sinalização horizontal, além da polícia de trânsito que deveria fazê-lo mas não o faz na maioria das vezes. É comum em rodovias e mesmo nas ruas carros com faróis queimados, quebrados, setas que não funcionam ou não são usadas, passando defronte a postos policiais fixos ou móveis nas rodovias e não são parados para dar um prazo e fazer uma notificação ao motorista que deveria dentro do prazo estabelecido dirigir-se à Ciretran ou outro órgão competente para levar o carro para vistoria e a nota fiscal emitida por que efetuou o reparo.

Já que estes métodos não funcionam, não seriam lombadas eletrônicas que iriam educar motoristas, a não ser que as pusessem de 200 em 200 metros para não dar tempo do motorista que diminuiu a velocidade por saber onde tem a lombada, retomar a aceleração de costume. Acho que não só deveriam existir os radares como aumentar seu número e não deixá-los fixos, mas mudá-los regularmente e deixando-os o menos visíveis possível. Só assim as pessoas correrão menos, provocarão menos acidentes e menos mortes no trânsito, além dos que sobrevivem e ficam seqüelados. Mais uma vez os mais abastados e a classe média seriam privilegiados pois a população menos favorecida anda de ônibus ou bicicleta, não tendo por que se preocupar com a única forma de coibir o desrespeito às leis (a fiscalização ostensiva ou eletrônica que alguns candidatos chamam de “indústria de multas”). Só tem medo do rigor da lei quem a descumpre.

Acho, inclusive que os semáforos deveriam ter câmeras filmadoras para fotografar e multar os que atravessam sinal vermelho logo que ele se fecha ou nas noites e feriados. Acho que também deveríamos imitar a iniciativa da França onde policiais de trânsito circulam pelas rodovias com carros comuns (sem identificação da polícia), com radares nos painéis, dirigindo a velocidade padronizada. Qualquer carro que os ultrapassar e o radar captar velocidades acima do permitido, o motorista infrator recebe a notificação em domicílio.

Qualquer outro tipo de “atitude educativa” não educa um povo com maioria sem ou pouca cultura e onde os mais influentes, quando questionados por suas infrações, na maioria das vezes usam “chavões” como: “Você sabe com quem está falando?”, “Você sabe quem eu sou”, etc. Ainda sou da opinião que a dor do parto, da cólica de rim, não são as maiores dores para o brasileiro, mas sim a dor no bolso quando tem que pagar por seus erros de forma pecuniária.

Estes arroubos políticos ou são pura demagogia ou incentivo ao desrespeito das leis (irresponsabilidade). Se o radar não pode punir os infratores, que tal retirar todas as placas de sinalização e deixar todo mundo fazer a conversão onde quiser, sumirem as preferenciais, dirigir na velocidade que quiser ou conseguir? A seguir façam-se campanhas educativas para o povo aprender a andar no trânsito sem nada que os coíba, além da própria consciência e responsabilidade. Ridículo acreditar nisso.

Eu ainda acho que deveria existir uma lei que incentivasse os cidadãos a filmar ou fotografar carros estacionados nos locais proibidos ou fazendo manobras proibidas, direção perigosa, etc. Cada multa aplicada através desse instrumento reverteria metade em favor de quem denunciou o abuso, colaborando com a ordem no trânsito. Quem sabe assim não teríamos tantos problemas procurando o dono do carro que trancou nossa saída de garagem.

Sou da opinião de que a realidade exige que se mude a legislação de trânsito, aumentando um pouco os atuais limites de velocidade nas ruas e avenidas, mas esse aumento deveria ser acompanhado de um rigor maior da polícia na educação para o trânsito, bem como de um maior número de radares móveis. O vereador Valle, com certeza concordará comigo pois sentiu na alma as conseqüências da irresponsabilidade no trânsito (e nem era seu filho quem dirigia o carro que o vitimou). Durante a campanha para prefeito Valle nunca criticou as formas de coibir a violência no trânsito.

Acho um bom tema para reflexão, sobretudo para os “azes do volante”, que só aquilatarão o tamanho das conseqüências (se puderem), depois da tragédia consumada, bem como para os pais de adolescentes que saem para se divertir deixando-os em casa aflitos pelo medo da violência (dentre elas a do trânsito).

Áureo Antonio Érnica - CRMSP 33.576

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