Turismo

Casa arrumada

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

Embora exista uma associação entre Foz do Iguaçu e os sacoleiros que transitam pela Ponte da Amizade para fazer compras no Paraguai, é sempre bom frisar que a cidade tem outra cara.

Aliás, muitos comerciantes que vão a Ciudad del Este nem conhecem as belezas de Foz, entre elas as cataratas descobertas no século 16 e o parque fundado há 65 anos, em 1939, por Santos Dumond, que tem uma estátua no local.

A descoberta se deu em 1542, quando o navegador espanhol Álvar Núñes Cabeza de Vaca descia o Rio Iguaçu em busca de uma rota para chegar em Assunción, Paraguai.

Corajoso como todos os desbravadores, levou um susto quando percebeu o que lhe aguardava metros à baixo. Apavorado com o tamanho da “coisa”, gritou: “Santa Maria, que beleza!”.

Nossa Senhora o livrou da morte e assim o espanhol entrou para a história como o primeiro humano a se banhar e beber daquelas águas.

Garganta do Diabo

Foi um verdadeiro milagre o navegador espanhol não ter sido engolido pela correnteza, já que as quedas das cataratas formam um semicírculo de 2,7 quilômetros de largura, com altura superior a 70 metros.

A mais famosa e que evidentemente mete mais medo é a Garganta do Diabo, que mede 90 metros e possui formato de ferradura.

Dependendo da vazão do Rio Iguaçu, que faz a divisa entre o Brasil e a Argentina e alimenta as quedas d’água, há de 150 a 300 delas pelo “caminho”.

Formam um turbilhão trovejante de água que despencam sem parar num espetáculo quer se torna ainda mais belo na época das cheias.

Dos índios aos gringos

Cidade hospitaleira e com clima agradável, Foz do Iguaçu tem orgulho de sua rede hoteleira - a terceira maior do Brasil - que se destaca com hotéis de porte como o Bourbon Cataratas e o Mabu.

Possui também restaurantes premiados e uma completa infra-estrutura urbana e turística que se integra ao conjunto natural reconhecido pela Unesco como patrimônio da Humanidade: as cataratas e o Parque Nacional do Iguaçu.

O município está localizado no extremo Oeste do Paraná - Estado que faz divisa com São Paulo e cujas paisagens e culturas diversas, aliadas à um clima variado (tropical ao Norte e subtropical ao Sul), o colocam em uma situação privilegiada no setor turístico nacional e internacional.

Foz do Iguaçu que foi habitada até 1881 pelos índios caigangues, só se tornou município em 1914, tendo como primeiros habitantes muitos estrangeiros, caso de árabes, alemães e italianos. E trabalhadores que saíram de várias partes do Brasil para atuar na Hidrelétrica de Itaipu.

Como a natureza sempre esteve a favor da cidade, levando muitos visitantes à região, em 1939, com a presença de Santos Dumond foi criado por lei o Parque Nacional de Foz do Iguaçu.

Já a Ponte Internacional da Amizade só foi inaugurada em 1965, visando o desenvolvimeento da indústria turística de Foz e da cidade de Presidente Strossner - hoje Ciudad del Este, a cidade paraguaia que já foi considerada o paraíso das compras para os brasileiros. Hoje, com a desvalorização do real frente ao dólar, nem sempre compensa a travessia da fronteira para a compra de produtos eletrônicos que às vezes não funcionam.

Para quem mesmo assim quer se “aventurar” no lado paraguaio, um aviso sempre é bom: nunca peque um táxi sem antes combinar o preço, pesquise os preços antes de comprar qualquer coisa, peça nota de venda e tome cuidado com as bolsas e carteiras.

A viagem ao exterior mais perto do Brasil também pode ser feita para Puerto Iguazú, na Argentina, que oferece como opções de compras artigos de couro, peças de artesanato e gastronomia típica da região. A travessia também se dá através de uma ponte.

À noite a dica fica por conta dos excelentes cassinos que funcionam tanto do lado argentino como paraguaio e são uma atração adicional para quem visita a fronteira Oeste do Paraná, que é um pedaço privilegiado do Brasil.

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