Economia & Negócios

Preços da gasolina e do álcool já estão mais caros em Bauru

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

A gasolina e o diesel ficam oficialmente mais caros hoje - pelas estimativas, 1,6% e 3,8% respectivamente - em função do reajuste de preços aplicado pela Petrobras. Contudo, em Bauru o litro da gasolina está mais caro em vários postos de combustíveis desde ontem. No álcool, preços mais altos já são verificados há mais tempo. Segundo empresários do setor consultados pela reportagem, o motivo são os constantes reajustes no valor do álcool que viriam sendo aplicados pelas distribuidoras há mais de um mês.

Na composição da gasolina há 25% de ácool anidro, por isso, a alta do produto acabou influenciando o preço do litro da gasolina nas bombas.

Desde ontem, a média de preços na cidade é de R$ 2,13 no litro da gasolina e R$ 1,26 no álcool. Segundo atesta o dono de posto Robson Costa, há um mês ele pagava R$ 0,82 pelo preço de custo do álcool (o litro). Desde a semana passada, o novo valor é R$ 0,97 (aumento de 18%). Na bomba, ontem Costa aumentou o litro do álcool de R$ 1,06 para R$ 1,26. O atual preço de custo da gasolina é de R$ 1,85 (diferença de R$ 0,28 para o preço de venda ao consumidor).

“Enquanto eu estava vendendo o álcool a R$ 1,06 na bomba, o preço de custo para mim estava em R$ 0,97. Isso significa uma margem de lucro de apenas R$ 0,09. Nós estamos comprando álcool nas distribuidoras com os preços sendo reajustados semanalmente, e isso já vem ocorrendo há quase dois meses. Chega um momento em que não dá mais para segurar o prejuízo e o aumento tem que ser repassado ao consumidor”, explica Costa.

“Mas é claro que, quem já comprou estoque de combustível e aumentou os preços até hoje (ontem), só deve mexer nos valores novamente quando for fazer um novo pedido”, acrescenta o empresário. O discurso dos donos de postos sempre foi de que a margem de lucro ideal para se trabalhar é em torno de R$ 0,25 a R$ 0,30.

Segundo ele, o preço do álcool tem aumentado muito porque as usinas começaram a visar mais o Exterior. “Se o custo é maior para exportar, o valor do produto no mercado interno também sobe”, observa o empresário.

Para a próxima semana, segundo Costa, novas altas de preços devem ocorrer. “Isso porque o estoque dos postos que compraram combustível antes do reajuste da Petrobras já deverá ter acabado”, justifica o empresário.

Robson Mecca, também dono de postos, reclama que fechou o mês de setembro com prejuízo em função das constantes altas do álcool, que se refletem na gasolina.

“Além de tudo isso que está acontecendo no setor de combustíveis, eu não duvido que agora as usinas aumentem de novo o preço do álcool alegando que vão ter alta nos custos de produção em função do reajuste do diesel. A situação está muito difícil. Nós (donos de postos) só ficamos sabendo que a Petrobras iria reajustar os preços da gasolina e do diesel pela imprensa. Estamos sempre sendo surpreendidos”, reclama.

No momento, a maior preocupação do governo federal é o impacto que os aumentos da gasolina e do diesel possam causar na inflação. Mas segundo analistas, o ajuste não terá impacto significativo. Além disso, por ocorrer no dia 15, será diluído nos índices de inflação de dois meses.

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