O assassinato de mais um motorista de táxi na região reacendeu o debate sobre os perigos desta profissão. Na última quinta-feira, o taxista Luciano Oliveira de Souza, 25 anos, de Lençóis Paulista, foi assassinado a pancadas supostamente por dois homens que contrataram uma corrida na rodoviária da cidade.
Para o presidente do Sindicato dos Taxistas, Caminhoneiros e Transportadores Autônomos de Bauru e Região, Waldir Farias de Freitas, os motoristas de táxi afrouxaram certas medidas de segurança que poderiam inibir a ação dos assaltantes. Entre as medidas, Freitas cita a solicitação aos passageiros de documentos de identificação e a definição exata do destino da corrida.
O sindicalista entende que o baixo movimento de passageiros é a principal causa para que tais medidas sejam negligenciadas. “O movimento já está fraco e o taxista teme que esta espécie de ‘interrogatório’ afaste os clientes”, avalia Freitas.
Ele defende ainda uma alteração na legislação visando punição criminal mais pesada para crimes contra taxistas. “O taxista é a presa mais fácil para o assaltante, que se utiliza de uma abordagem covarde e traiçoeira, feita pelas costas”, diz o sindicalista.
A entidade, que representa os profissionais de 54 cidades na região de Bauru, não possui levantamento sobre os crimes contra taxistas. Mas Freitas garante que “assaltos acontecem toda semana”.
O corpo de Souza foi enterrado ontem de manhã, em Lençóis Paulista. De acordo com o delegado titular da Delegacia de Agudos, Eron Veríssimo Gimenes, as investigações continuam em ritmo intenso, mas permanecem em sigilo. Também estão no caso policiais de Lençóis Paulista e da Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubo e Assalto (DIG/Garra), de Bauru.
Profissão de risco
O taxista Cláudio de Souza, 51 anos, tio de Luciano, não acredita na eficácia das medidas citadas por Freitas. Para ele, que compartilhava o ponto da rodoviária de Lençóis com o próprio Luciano e com irmão Clóvis de Souza, pai da vítima, seria “complicado” adotar tais medidas.
“Os passageiros não aceitariam, pois não somos autoridade para pedir documentos”, avalia, ressaltando que apenas uma revista impediria casos como o que aconteceu com seu sobrinho. “Mas isso também seria impossível”, admite.
Ainda abalado e assustado com a tragédia, o taxista admite recusar corridas contratadas por desconhecidos, principalmente à noite. “A gente fica meio ressabiado, principalmente por trabalhar em um ponto de rodoviária, onde aparecem mais desconhecidos”.
Há oito anos na praça e com seis filhos para criar, Cláudio de Souza admite que só permanece na profissão por absoluta falta de opção. “Na minha idade, fica difícil encontrar outro serviço, mas se conseguisse deixaria a praça em função do baixo ganho e dos riscos”, confessa.