Bairros

Ibama decreta caça ao caramujo gigante

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Bauru será o primeiro município do Estado de São Paulo a realizar uma campanha de combate ao caramujo gigante africano. O dia “C”, como deve ficar conhecido, está programado para ser realizado no início do próximo mês, mas a data ainda não foi divulgada.

O trabalho de conscientização, que também inclui um plano para controle e monitoramento do molusco, deve tranqüilizar moradores de pelo menos três bairros da cidade alarmados com o aparecimento da espécie, vista principalmente em dias úmidos.

A campanha será mais intensa em bairros como a Vila Independência, Vila Santista e Jardim Terra Branca, região onde vivem cerca de 12 mil pessoas em aproximadamente três mil residências.

A área será priorizada porque registrou no último verão o maior número de queixas relativas à presença do molusco, informa matéria veiculada no site do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). No entanto, a campanha também deve atingir outras áreas como a Vila Santa Clara, onde um saco de 50 litros lotado de caramujos foi retirado de apenas uma casa.

“Só não tem mais por aí porque eles aparecem principalmente quando chove e estava calor. Também porque joguei dois sacos de sal no quintal”, conta Antônio Sabino Brugnari, que mora na quadra 2 da rua Joaquim de Souza. Enquanto conversava com a reportagem, o neto dele, de 6 anos, brincava com um caramujo, iniciativa não recomendável pela saúde pública.

Os moluscos podem infectar humanos com as bactérias que estão sujeitos a contrair enquanto transitam por lixões ou se alimentam de fezes animais. Pela mesma razão podem trazer impurezas às plantações e hortas por onde passam. Além disso, os caramujos ainda podem provocar dois tipos de vermes, confirma a professora do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Fátima do Rosário Knoll.

“Embora possam ser vetores, há cerca de um ano não havia sido encontrado nenhum caramujo no Brasil portando essas doenças. É bom evitar o contato porque nunca se sabe por onde ele andou antes. A transmissão (de doenças) pode se dar por contato”, explica a professora.

Preocupado com um possível contágio, o também morador da Vila Santa Clara, Irineu Luzia Fernandes tem buscado orientações junto à saúde pública municipal para tentar equacionar o problema. “Eles nos orientaram a colocar sal no quintal. Mas em época de chuva, eles aparecem mesmo assim. Minha família mora aqui há 50 anos, mas só há quatro os caramujos apareceram. Parece que uma família criava os caramujos achando que era escargô. Quando descobriu que não era, os enterrou”, comenta.

____________________

Campanha

O comando da campanha contra o caramujo gigante africano foi atribuído ao Ibama, que desde a semana passada está em greve. Por essa razão, não foi possível levantar a data exata do trabalho de conscientização que será realizado em Bauru, nem a maneira como ele será executado.

Mas segundo material divulgado no site do Ibama, a expectativa é de que toda a sociedade seja mobilizada e entenda que o combate terá caráter permanente. Para tanto, o plano contará com parceiros como as secretarias municipais do Meio Ambiente (Semma), da Saúde, da Educação, das Administrações Regionais e da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb).

Os órgãos municipais foram procurados pela reportagem, mas como o Ibama solicitou exclusividade na divulgação (como medida de precaução contra informações divergentes), seus representantes sugeriram que o JC aguardasse uma manifestação oficial do instituto.

Comentários

Comentários