Bairros

Jardim Botânico começa a tratar água usada e esgoto

Ieda Rodrigues (com Redação)
| Tempo de leitura: 4 min

O Jardim Botânico de Bauru passou a tratar toda água utilizada no parque, como a que escorre da irrigação do orquidário e do viveiro de plantas, a oriunda da cozinha e o esgoto produzido nos banheiros, inclusive os usados pelos visitantes. Após o tratamento, a água é canalizada para um lago, onde serão criados peixes. Até agora, o esgoto ia para uma fossa séptica.

O sistema de tratamento de esgoto, desenvolvido pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, foi apresentado ontem ao público, como parte da comemorações pelos dez anos de fundação do Jardim Botânico. “Além do tratamento das águas residuárias e do esgoto, como o espaço é aberto à visitação, também dará condições para fazer um trabalho de educação ambiental”, frisa Luiz Carlos de Almeida Neto, diretor do Jardim Botânico.

A criação de peixes é uma forma de mostrar a eficiência do tratamento, que não exala odor, ressalta Neto. O sistema adotado é de alagados construídos, que consiste em uma parte física onde a água é filtrada da areia, e um processo biológico, que se dá pela decomposição da matéria orgânica, através das bactérias, e absorção dos nutrientes pelas plantas.

Além da parceria na execução do projeto, a Unesp está acompanhando todo o processo com levantamentos semanais para análise da água. A princípio, serão tratados cerca de 1 mil litros de águas residuárias por dia. “Quem visitar o local poderá acompanhar detalhadamente o processo através de painéis explicativos, inclusive elaboramos material explicativo voltado às crianças”, comenta Neto.

O sistema de tratamento de águas residuárias é resultado de uma parceria entre a Prefeitura de Bauru, que administra o Jardim Botânico, Unesp, Grupo Lwart e o projeto Amigos do Jardim Botânico, formado pela Agrosolo, Bauru Painés e Complexo Jurídico Damásio de Jesus.

Como o sistema de tratamento foi feito com parcerias, o diretor do Jardim Botânico não soube estimar o custo da obra, porém disse que trata-se de um projeto simples e barato. “É simples, eficiente e pode ser adotado em condomínios, por exemplo”, diz.

O vereador e ambientalista Rodrigo Agostinho estima que um sistema de tratamento semelhante ao construído no Jardim Botânico custa em torno de R$ 4 mil. “É um sistema muito interessante porque foi desenvolvido pela Unesp de Bauru, ou seja, é uma pesquisa local. E fica junto a uma área de lazer e é aberto à visitação pública”, afirma.

Solenidade

Durante a apresentação do sistema de tratamento de águas usuadas, Osmar Cavassan, vice-diretor da Unesp, destacou a importância das riquezas existentes nas matas do Jardim Botânico não só pelo aspecto de preservação do meio ambiente e desenvolvimento de atividades didáticas, de campo, mas também pelas riquezas para o desenvolvimento de pesquisas científicas.

Ao encerrar a solenidade, o prefeito Nilson Costa (sem partido) lembrou que as áreas do Zoológico e Jardim Botânico sempre foram intocáveis. Explicou as tratativas para o tratamento do esgoto da cidade em sua gestão e a importância da continuidade dos trabalhos de preservação das reservas naturais como forma de garantir a sobrevivência da humanidade.

____________________

'Exemplo para Bauru'

Para o vereador e ambientalista Rodrigo Agostinho, a pequena estação de tratamento de efluentes do Jardim Botânico é um excelente exemplo para a cidade de Bauru, que ainda não trata seu esgoto.

“Existem cidades que estão montando pequenas estações, que são importante do ponto de vista educacional, como em escolas. Para educação ambiental, isso é ótimo porque a criança aprende desde pequena que é preciso tratar esgoto. E dismitifica um pouco que tratar esgoto é muito caro”, conta.

Com exceção dos efluentes industriais, todo esgoto produzido em Bauru é lançado no rio Bauru in natura. O prazo para que os detritos de Bauru fossem tratados, previsto em Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), venceu no dia 5 de junho último.

O Ministério Público (MP) já pediu a execução da multa diária de R$ 12 mil prevista no caso de descumprimento do acordo e aguarda a decisão judicial. A proposta da promotoria é discutir com a prefeitura um cronograma com etapas definidas de execução dos serviços para que o valor não precise ser pago.

Somente a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) está orçada em R$ 57 milhões. Além disso, é preciso instalar mais 21 dos 52 quilômetros de interceptores que precisarão ser construídos para que os rios e córregos do município não recebam mais esgoto.

Comentários

Comentários