Nos meus 42 anos de magistério sempre me orgulhei da carreira que abracei, sempre gostei de ser chamado de professor. Fiz-me professor e professor sou,embora aposentado. Todos sabem que o homenageado deste dia, 15 de outubro, tem, em circunstâncias várias, recebido o nome de professor, mestre, pedagogo, doutor, docente e educador. Mas o que poucos sabem é a origem e o sentido verdadeiro dessas denominações. A palavra “professor” se prende ao verbo depoente latino “fateri” com o sentido de confessar. Muitas vezes, em sentido pejorativo, reconhecer um erro ou culpa, mas no sentido geral de publicar ou declarar alguma coisa,. Junto da preposição “pro” (prefixo) formou-se “profiteri”. “Pro” siginifica “diante de, na frente de” de onde se conclui que “profiteri” (professar) é declarar alguma coisa abertamente ou publicamente. O sentido foi se restringindo a uma declaração pública de conhecimentos ou habilidades. Professor é aquele que se diz, diante de alguém, hábil ou experimentado na ciência e nas artes e, por isso, um mestre.
Nesse campo léxico temos “profissão” no sentido de declaração pública, algumas vezes, para declarar a fé religiosa, profissão de fé, ou para designar um conjunto de pessoas exercendo a mesma atividade. Profissão, exercício de atividade. Professor é aquele que declara conhecimentos e ensina. Ensinar, por sua vez, é sinalizar, dar sinais (insignire). Ensina quem coloca sinal e distingue. De “signum” se formou signare, marcar com um sinal. Insigne é a pessoa marcada com um sinal particular, distinta. Depois “insignare”. Se o campo semântico de professor lembra o termo “mestre”, é porque mestre é aquele que é “mais” (magis), magister. Mestre é aquela pessoa “mais” qualificada para dirigir e ensinar. Magister, mestre, magistra, mestra. Magisterium.
“Magisterium” é dignidade, cargo de chefe ou mestre do ensino e lições. O mestre é a pessoa que exerce uma autoridade, pessoa qualificada para dirigir e ensinar. Os antigos sábios da Grécia nem sempre tiveram preocupação pedagógica ou de ensino. Foi, parece, o pitagorismo, no sul da Itália, que primeiro teve essa preocupação de ensino. Essa instituição de ensino foi imitada depois pela Academia de Platão, pelo Liceu de Aristóteles e pela escola de Epicuro. Os sofistas, porém, no final do quinto século, desenvolveram propriamente o ofício de professor, como atividade remunerada. Percorriam as cidades, reuniam os alunos e faziam conferência, uma discussão ao gosto do público a respeito de qualquer assunto.
Na Grécia temos a figura do pedagogo, literalmente, aquele que conduz as crianças, isto é, o escravo encarregado de levar as crianças para a escola. Termo que designou depois o próprio preceptor da criança, e Pedagogia passou a significar a educação das crianças. Nesse ponto é bom lembrar que a cultura latina sofreu influência grega. A aristocracia romana educava seus filhos na maneira grega. Lívio Andronico de Tarento, poeta grego, foi preso em 240 e conduzido a Roma como escravo para educar os filhos de Lívio Salinator. Ensinou literatura para os romanos, o primeiro professor de literatura e pedagogo.
O latim conhecia também o verbo “docere” no sentido de fazer aprender ou ensinar. Desse radical temos “doctor”, doutor, o que ensina, mestre ou professor, doutrina, o ensinamento, doctus, pessoa instruída, “docilis”, aquele que pode ser instruído, dócil. “Documentum” também é desse radical e significa aviso, prova. Do verbo “discere” (aprender) temos discípulo, disciplina. Do particípio presente “discens”, discente.
Finalmente nesse indefinido campo semântico e léxico de professor, temos “educador” derivado do verbo latino “ducere” (conduzir) com o prefixo e (ex). “Educere” ou “educare” significam “tirar de, levar para fora”, extrair as habilidades da pessoa, educar. Independente das denominações recebidas, o homenageado de hoje merece o nosso respeito pelo trabalho que executou, executa e continuará executando na melhoria da educação e do ensino do nosso povo. Resta-nos a esperança de ver que nem tudo neste país, está perdido, enquanto tivermos na mente a lembrança de um professor. Parabéns. (Professor Gino Crês)