Em setembro de 2000, 189 líderes mundiais assinaram a Declaração do Milênio, pela qual se comprometeram a “liberar todos os homens, mulheres e crianças das lamentáveis e desumanas condições de extrema pobreza” antes de 2015. Para esse objetivo, foram traçadas oito Metas de Desenvolvimento do Milênio (MDM), que vão desde a promoção da educação, da saúde materna e da igualdade de gêneros até a redução drástica da pobreza e da mortalidade infantil, bem como a erradicação do HIV/aids e de outras doenças endêmicas.
Muitos progressos foram feitos desde então e alguns poucos países chegam dez anos antes do programa a alguma das MDM. Entretanto, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Kofi Annan, divulgou recentemente um relatório que cria muitas preocupações sobre o ritmo do progresso no cumprimento das Metas do Milênio (MDM), que é inadequado em muitos países. O que tem faltado é a vontade política por parte dos líderes mundiais para cumprirem seus compromissos do milênio.
Na meta número oito, está explicitamente reconhecido que a erradicação da pobreza em todo o mundo só pode ser alcançada através de um esforço global. Porém, para que os países pobres possam avançar rumo às MDM, as nações desenvolvidas devem cumprir com o acordo estabelecido na Declaração do Milênio: uma maior e mais eficaz ajuda e um alívio da dívida mais sustentável, bem como o estabelecimento de regras comerciais mais justas bem antes de 2015. O dinheiro destinado à luta contra a pobreza diminuiu radicalmente na maioria dos países ricos que integram a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) durante a década de 90, mas a questão das contribuições se reativou na Conferência de Monterrey, onde ficou decidido incrementá-las.
Apesar de os países ricos deixarem de cumprir seus compromissos, não há desculpas para que os países pobres não façam um trabalho melhor. Por exemplo, o ensino primário não é tão caro. Inclusive, os países mais pobres deveriam ser capazes de mobilizar recursos domésticos para colocar todas as crianças na escola.
O verdadeiro problema é que muitos chefes de governo chegam às Nações Unidas, pronunciam belos discursos e fazem promessas das quais se esquecem quando retornam aos seus países. Este foi o caso referente aos 0,7% do PIB estabelecido há 30 anos e como é agora com a Declaração do Milênio. O que é necessário é que os povos desses países pressionem seus governos para que cumpram o compromisso que assumiram. (A autora, Eveline Herfkens, é coordenadora-executiva da Campanha para as MDM e ministra da Cooperação para o Desenvolvimento da Holanda entre 1998 e 2002)