quando vêem algo de errado

no bairro por medo de

represália.

Aparecida Maria Padovan

Nogueira, moradora

da Vila Industrial 3, confirma.

“Você vê e finge que não viu. Isso acontece

em todo o lugar. A gente

vê, como eu já vi, mas como

a gente vai se envolver

com uma coisa dessas?

Faz vistas grossas e deixa

passar. Aqui é assim. Bandido

arromba a porta, leva

tudo e vizinho nenhum

vê”, destaca.

Ela conta que há três meses

sua cadela foi “seqüestrada”

e ela teve de pagar R$

30,00 de resgate para obter

o animal novamente. Embora

saiba quem é o autor do

crime, ela não fez denúncia.

“Eu não quis me envolver

porque são pessoas com

quem a gente não deve se envolver”,

diz.

Oswaldy Martins, o Ticão,

presidente do Conselho

Comunitário de Segurança

(Conseg) Noroeste-Oeste,

afirma que as pessoas têm

medo de represália. “O pessoal

tem medo de falar

quem são os infratores. Eles

têm medo de morrer no dia

seguinte. Não têm aquela total

segurança da polícia”,

afirma.

De acordo com Ticão,

em muitas regiões de Bauru

impera a lei do silêncio.

“Ainda prevalece a lei do silêncio.

Eu sei, mas eu não

vi. Sou surdo e mudo. E isso

não acontece só em favela.

Acontece nos bairros. A

pessoa tem medo de se comprometer”, frisa.

O capitão Flávio Jun

Kitazume, comandante da

3.ª Companhia da Polícia

Militar (PM), também percebe

a omissão de muitos

cidadãos. “As pessoas tornam-

se omissas aos problemas

alheios talvez por

medo de represálias ou até

preocupadas com as conseqüências

que podem ocorrer”, expõe.

O capitão Benedito Roberto

Meira, comandante

da 1.ª Companhia da PM,

também afirma que a prática

é comum. “Infelizmente,

é comum as pessoas fazerem

vistas grossas”, diz.

“Quem garante a integridade

do cidadão? A polícia

não tem estrutura para isso.

Nem a Justiça. é importante

que a pessoa denuncie. Mas

eu não posso falar que não

vai acontecer nada com ela.

Como policial, eu falo para as

pessoas fazerem denúncias.

Como cidadão, não.”

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