moradores de diversos bairros

da cidade.

De acordo com Oswaldy

Martins, o Ticão, presidente

do Conseg Noroeste-Oeste,

até a quantidade de pessoas

que freqüentam igrejas

nas regiões noroeste e oeste

da cidade caiu.

“Diminuiu muito a

quantidade de pessoas nos

cultos religiosos. O pessoal

está deixando de ir às igrejas

por medo da violência.

Aumentou muito o roubo,

o furto de casas e carros

aqui na região. Outros não

vão mais passear ou namorar

por medo de sair nas

ruas”, afirma.

Ticão acredita que a carência

de infra-estrutura

nos bairros de periferia

contribui com a sensação

de insegurança. “O povo

está inseguro à noite por

falta de iluminação nas

ruas. É geral: Fortunato,

Jaraguá, Ouro Verde, etc.

O pessoal está inseguro devido

ao mato alto nos bairros

e às ruas de terra”, destaca

o presidente do Conseg

Noroeste-Oeste.

O agravante é que muitos

moradores não denunciam

as ocorrências à polícia

por medo de represálias.

“As pessoas não fazem

boletim de ocorrência

(BO). Fica difícil a polícia

atuar sem saber o que acontece”,

observa.

Para Carlos Gregório,

presidente do Conseg Leste,

cada vez mais os pais estão

tirando a liberdade de

seus filhos devido ao medo

da violência. “Isso eu já notei.

Cada vez mais eles taxam

horários. Procuram ver

sempre para onde os filhos estão

saindo, com quem vão,

etc. Infelizmente, isso devese

ao medo e à insegurança

que a população está sentindo

hoje”, avalia.

Jaqueline Didier, presidente

do Conseg Sudeste, também

percebe as alterações decorrentes

do medo. “O comportamento

das pessoas certamente

mudou. Eu mesma tenho

muito medo de sair na rua

e tenho medo de sair à noite.

A gente percebe que é uma

psicose geral isso. E com razão”,

expõe.

Jaqueline observa também

que as casas estão cada

vez mais equipadas com muros

altos, grades, cerca elétrica,

alarmes, interfones,

entre outros aparatos, mesmo

em bairros de periferia.

“Cerca elétrica tem aumentado

muito. Na quadra em

que eu moro, no Jardim Marambá,

tem oito casas e cinco

delas têm cerca elétrica”,

conta.

“As pessoas cada vez

mais moram em prisões. Se a

minha casa pegar fogo, por

exemplo, eu não consigo sair

dela. Não tem um lugar sem

grade. Até mesmo nas portas

tem grade”, enfatiza.

Na opinião de Jaqueline,

a falta de solidariedade

e de interação entre as famílias

vizinhas agrava a sensação

de insegurança das

pessoas, que sentem-se sozinhas

nos locais em que

moram.

“Poucas pessoas avisam

o vizinho quando vão viajar

e deixam um telefone de

contato para um caso de

emergência. A comunicação

entre os vizinhos é muito

importante para a vigilância

informal”, afirma a presidente

do Conseg Sudeste.

Nelson Scarpelli Júnior,

presidente do Conseg Centro-

Sul, concorda. “As pessoas

são omissas e se negam

a apoiar seus vizinhos

quando ocorre alguma coisa.

Se elas se envolvessem

o tempo todo, confiariam

mais em seus vizinhos e

não teriam preocupação excessiva

com a segurança”,

acredita.

Scarpelli frisa que é fundamental

a colaboração das

comunidades com a Polícia

Militar (PM). “As reclamações

e sugestões dos moradores

facilitam muito o trabalho

da polícia. Passa a ser

uma fonte de informação para

a PM”, diz.

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