Bairros

Insegurança nos bairros gera mudança de comportamento

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

grande que muita gente evita

ao máximo sair de casa, não

frequënta mais o mercado

do bairro e até deixa de ir ao

trabalho.

Além disso, é comum ver

casas que foram transformadas

em verdadeiras prisões

pela grande quantidade de

aparatos de segurança, como

cercas elétricas, grades, alarmes,

interfones e portões eletrônicos,

entre outros.

Os moradores, por sua

vez, escondem-se cada vez

mais atrás de toda essa parafernalha

e recusam-se até

mesmo a cultivar bons relacionamentos

com os vizinhos.

É o caso de Janete Santos

Silva, moradora do Parque

Santa Edwirges. Ela recusa-

se a sair de casa à noite e,

mesmo durante o dia, evita

andar pelo bairro.

Janete deixou até de ir ao

mercado por medo da violência.

Quando precisa fazer compras,

ela espera o marido e o casal

vai de carro a um supermercado

em outro bairro da cidade

(leia mais na página 2).

Maria de Lourdes dos Santos,

moradora do Parque Jaraguá,

também tem restrições a

sair de casa. “Eu não saio

mesmo. Por medo. Aqui é

um lugar perigoso, então eu

tenho medo. Para sair um tiro

não custa nada. Tem muita

violência. Graças a Deus não

aconteceu nada com a gente

ainda”, diz.

Aparecida Maria Padovan

Nogueira, moradora da Vila Industrial

3, reclama da situação.

“Aqui é assim agora: o morador

fica preso e o bandido fica solto.

É uma lei que a gente não queria,

mas infelizmente está assim.

É complicado”, destaca.

Muitas vezes, os moradores

são obrigados a mudar

seus comportamentos também

em relação aos infratores

do bairro. É preciso ter relação

de boa vizinhança.

“Eu me dou bem com todo

mundo. Eu sei que aqui na

vila tem bandido e eu conheço.

Só que nunca mexeram

na minha casa. Eles passam,

a gente cumprimenta. É melhor

falar bom dia, boa tarde

e boa noite. Não ter intimidade,

mas também não desfazer.

Tem que saber a medida

exata”, afirma.

Na casa de Aparecida, como

na maioria das casas visitadas

pelo JC nos Bairros, a

família estipulou uma espécie

de revezamento para sair

de casa. Sempre fica alguém

para cuidar do imóvel.

A moradora já deixou de ir

a festas e até de viajar com o

marido e os filhos por esse motivo.

“No último feriado, foram

todos viajar e eu tive de ficar para

cuidar da casa”, relata.

A psicóloga Maria Lúcia

Biem alerta para a possibilidade

da insegurança tornarse

uma neurose. Além disso,

existe a possibilidade de o

medo desencadear doenças

psicossomáticas.

“Eu diria que é uma tortura

mental. Hoje as pessoas

estão muito fragilizadas em

relação à segurança. Elas estão

se sentindo ameaçadas”,

diz a profissional.

Maria Lúcia orienta a população

a tomar os devidos

cuidados, mas evitando pensamentos

negativos. É importante

também orientar os filhos

sobre medidas preventivas

de segurança, mas sem

passar medo a eles.

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