Política

Nilson vai ter R$ 13 milhões a mais de receita neste ano

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

O prefeito Nilson Costa projeta fechar o último ano de seu mandato com R$ 13 milhões a mais do que planejou. Apesar de contar com atrasos nos pagamentos de vários meses em setores prioritários como saúde e previdência, o atual governo confirmou, em publicação no Diário Oficial do Município (DOM) do último sábado, um excesso de arrecadação (termo técnico) já acumulado de R$ 6,8 milhões até o mês passado.

Segundo dados da própria Secretaria Municipal de Finanças, apresentados em audiência pública realizada no Legislativo no início deste mês, a arrecadação da administração direta tem uma previsão de R$ 172 milhões até o final do exercício, contra R$ 159 milhões obtidos em 2003. Daí o próprio governo apresentar um excesso de receita em 2004 de até R$ 13 milhões.

A entrada de mais recursos do que o planejado levou o prefeito a publicar decreto no último sábado abrindo um crédito adicional suplementar de R$ 7.609.168,46. Boa parte dos recursos vai para a Secretaria Municipal de Educação. São mais de R$ 4 milhões. A Secretaria Municipal de Administração ganhou R$ 1 milhão e Obras outros R$ 1,008 milhão. Os encargos gerais do Município foram acrescidos em R$ 1,5 milhão.

A assessoria de imprensa da prefeitura foi acionada para informar em que projetos, obras ou serviços estão sendo utilizados esses novos recursos. Mas a pasta de Finanças declarou, vagamente, por meio da assessoria, que “as informações estão no Diário Oficial”.

No documento, entretanto, constam os códigos de alocação dos recursos (rubricas). Sem os dados, não é possível identificar, por exemplo, se os R$ 4 milhões acrescidos à pasta de Educação obedecem apenas à exigência constitucional de aplicação mínima de 25% das receitas no setor.

A pasta está retomando a construção de obras paralisadas, como as das escolas municipais do Ferradura Mirim e Flórida/Araruna. A última unidade foi contratada a um custo de R$ 1,373 milhão. Sem a informação da administração, não é possível identificar, portanto, se esta despesa já estava contemplada no orçamento até a publicação do decreto ou se é um dos casos cobertos pela arrecadação extra.

O crédito adicional também pode ter suprido a decisão do governo de realizar mais quatro quadras de extensão da duplicação da avenida Comendador da Silva Martha, no Jardim Estoril, ao valor de R$ 200 mil. Mas a suposição fica ainda mais em aberto quando o próprio Executivo promove remanejamentos no orçamento sem explicar a motivação.

Somente no DOM de 2 de outubro passado ocorreram várias alterações o que, de um lado, indicam falta de planejamento orçamentário ou de ação de governo. Um exemplo é a pasta de Obras que ganhou, na oportunidade, R$ 900 mil, mas perdeu na mesma data R$ 1,5 milhão - que foram eliminados para fazer frente a outra parte do orçamento. Agora, no decreto do último sábado, a mesma área recebe mais R$ 1,008 milhão.

A população fica ainda mais distante dos números e da compreensão da engenharia financeira quando o governo deixa de cumprir a Lei Orgânica do Município (LOM) quanto à publicação dos extratos de caixa. A atual administração adotou como hábito a não publicação do fluxo de caixa em todas as edições do Diário Oficial.

Contas em atraso

A ausência de prestação de contas sólida em relação à execução orçamentária produz outras interrogações. Uma delas é a explicação para a existência de dívidas com vários fornecedores ou prestadores de serviços, apesar do caixa mais gordo que o previsto. O governo Nilson Costa, aliás, vai encerrar quatro anos de gestão com sucessivos excessos de arrecadação.

Mas, apesar dos indicadores positivos de receita, a administração ainda não conseguiu colocar em dia várias contas, como os repasses mensais da cota patronal para o Fundo de Previdência (14,5% do valor mensal com folha de pagamento). Os repasses de pouco mais de R$ 700 mil/mês estão atrasados desde os primeiros meses do ano. No acumulado da gestão, a atual administração tem mais de R$ 10 milhões de dívidas com a previdência do servidor.

A administração também não conseguiu pagar - e muito menos deixou reservado - as parcelas mensais da dívida federalizada, que chega a outros R$ 700 mil mensais. São cerca de R$ 7 milhões que a União não conseguiu receber e que agora podem ser retirados do caixa através de confisco direto na conta-corrente, por meio de decisão judicial.

Outras dívidas estão em aberto com convênios, inclusive com desconto direto no salário do servidor. Na conta do calote, a administração incluiu atrasos até com empréstimos pessoais feitos por servidores.

Outra constatação desse tipo de gerenciamento dos recursos é a dívida com o contrato de plano de saúde privado oferecido ao funcionalismo, que passa de R$ 1,2 milhão. Na última checagem, a prefeitura acumulava três meses de serviços prestados na área de saúde sem que a empresa Tec-Seg tivesse recebido as faturas.

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