O governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), anunciou seu novo desafio na área de educação: informatizar até o final do próximo ano todas as escolas que ainda não dispõem de sala ambiente de informática. Para alcançar a meta, ele liberou R$ 38 milhões para atender todas as cidades paulistas, inclusive as 15 ligadas à Diretoria de Ensino da Região de Bauru, que ainda tem 33 escolas fora do processo de inclusão digital.
O valor que será aplicado especificamente na região de Bauru não foi informado pela assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Educação, que alegou não dispor de dados regionalizados. A assessoria também não divulgou como será o processo de capacitação dos professores que atuarão nos laboratórios de informática, procedimento que ainda estaria sendo estudado.
No entanto, de acordo com a dirigente regional de ensino de Bauru, Vera Nilce Lüdke Jarussi, caberá ao Núcleo Regional de Tecnologia e Informática da diretoria habilitar tanto os professores quanto os alunos que desempenharão a função de monitores.
“Nós (diretoria) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp) capacitamos o aluno para dar apoio técnico. Cada escola tem três alunos monitoresâ€, explica a assistente tecnicopedagógica do núcleo de informática Vera Spezi. De acordo com ela, só na região de Bauru, dois mil professores passaram pelo processo de capacitação, além dos estudantes que trabalham nas salas de informática como “estagiáriosâ€.
Um deles é Rafael Augusto Cotait, aluno do 2.º ano do ensino médio, que é monitor na escola estadual Professora Vera Campagnani. “Fiz uma semana de curso na Diretoria de Ensino, das 8h às 17h. Depois, no mês passado, mais três dias. Aprendi coisas que eu não conhecia. Quando acontece algum problema (que ele não consegue resolver), procuro um professor que também entenda (de informática)â€, afirma o rapaz de 16 anos.
Rafael e outros dois colegas são responsáveis pelos dez computadores da escola, cujo número de alunos matriculados é de quase mil. A concorrência por máquina é tanta que até a diretora da escola, Jeane de Oliveira Cavalieri, admite a necessidade de mais computadores. “(O triplo) seria o ideal. Também não temos suporte técnico. Os voluntários ajudam na manutenção (dos micros). O computador ajuda muito a estimular os alunosâ€, diz.
Edvaldo Miguel, por exemplo, aluno do 1.º ano do ensino médio, ontem fazia uma pesquisa na Internet para elaborar um trabalho de língua portuguesa. “Tudo o que eu aprendi (de informática) foi na escola mesmo. Fiz cursoâ€, comenta, enquanto usava a sala de informática aberta inclusive nos finais de semana.
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Críticas
Cada um dos computadores comprados pelo governo do Estado será disputado por até 30 alunos, informa a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Educação. A concorrêcia nas salas ambiente não é uma constatação inédita.
A dificuldade de acesso já havia sido confirmada pelo próprio representante da secretaria Tirone Chahad, em matéria publicada em agosto pelo JC. No entanto, na opinião de Chahad, um bom gerenciamento das salas pode ser garantia de acesso a todos os estudantes. Mas a falta de micros não é o único problema apontado pelos alunos de Bauru que reclamam do processo de inclusão digital nas escolas.
Conforme o JC divulgou, os estudantes também apontaram como limitação a burocracia para usar os computadores, a falta de monitores e o fato das salas permanecerem fechadas com freqüência.