Bairros

Fila para cirurgias leva HE a mutirão

Por Ieda Rodrigues | Com Da Redação
| Tempo de leitura: 4 min

O Hospital Estadual (HE) Arnaldo Prado Curvêllo vai iniciar, no sábado, um mutirão para atender 450 pacientes de Bauru e região que estão na fila de espera do Sistema Único de Saúde (SUS) para realizar cirurgia geral (hérnia, apendicite, fimose e outras patologias) que não exigem urgência. O hospital vai convocar 150 pacientes por sábado para submeterem-se a avaliação clínica. Para aqueles que realmente necessitarem, será marcada uma data para a intervenção cirúrgica.

A informação é do diretor técnico do HE, Carlos Alberto Macharelli. “A próxima etapa, depois de realizar as cirurgias gerais represadas, é fazer mutirão para atender pacientes de outras especialidades”, ressalta. Segundo a assessoria de imprensa do hospital, serão atendidas as áreas de ortopedia, otorrinolaringologia, urologia, oftalmologia e vascular.

Para isso, já foram solicitadas às secretarias municipais de Saúde dos 38 municípios que compõem a Direção Regional de Saúde (DIR-10) a relação de pacientes à espera de cirurgia nestas áreas. Com base nos mutirões já realizados pelo HE, Macharelli acredita que nem todos os pacientes que estão na fila ainda precisam de cirurgia.

Isso, explica, porque a lista não é atualizada. “Alguns já foram operados. No ano passado, o Ministério Público nos passou uma lista com cerca de 800 nomes de pessoas para cirurgia de otorrino, mas pouco mais de 200 realmente ainda precisavam da operação”, diz.

Apesar do HE ainda não ter iniciado o atendimento ginecológico, no sábado o médico e deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) fará parte de uma equipe de profissionais que examinará pacientes desta especialidade no hospital. “As participantes passarão por uma triagem com o ginecologista. Se houver indicação médica, serão agendados exames pré-operatórios e cirurgias”, explicou Tobias.

O HE ainda não conta com ginecologistas - está realizando concurso para contratação de médicos da área -, mas dispõe de centro cirúrgico que pode ser usado pela equipe de Pedro Tobias. A proposta é atender a demanda reprimida de cirurgias da Maternidade Santa Isabel.

A doméstica Laura Elídio Torquato, 59 anos, é uma das pacientes que estão na fila para cirurgia ginecológica. A médica que a atendeu, no Núcleo de Saúde do Jardim Redentor, a encaminhou para cirurgia para retirar um mioma. “Desde julho estou esperando e sentido dores. Só agora, há uns 20 dias, comecei a fazer os exames para a cirurgia, mas ainda não marcaram a data”, diz.

Mas a maior demanda no Núcleo de Saúde do Redentor é por cirurgias ortopédicas. O JC apurou que cerca de 200 pacientes saíram da unidade com guias para operação no HE, mas ainda não conseguiram marcar data para o procedimento. Isso porque, devido ao sistema de cotas, a unidade básica de saúde tem somente duas ou três vagas para cirurgias da especialidade por mês.

Inaugurado em novembro de 2002, o HE possui 318 leitos. Atualmente realiza mensalmente, em média, 10.000 consultas médicas; 600 cirurgias; 26.000 exames e 900 internações.

No atendimento ambulatorial, as especialidades mais procuradas são endocrinologia adulto, ortopedia, otorrinolaringologia, cirurgia plástica, urologia adulto, reumatologia adulto e cardiologia. No serviço hospitalar, dispõe de internação, UTI, unidade de tratamento de queimaduras, unidade coronariana e centro cirúrgico que faz, inclusive, cirurgias cardíacas pediátricas.

O HE realiza diagnóstico por imagens, análises clínicas e procedimentos na área de cardiologia.

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Demanda reprimida

Além dos mutirões de cirurgias consideradas não-urgentes, o Hospital Estadual Arnaldo Prado Curvêllo está lançando o Programa Contínuo de Acolhimento e Cadastramento de Pacientes com Afecções Cirúrgicas Crônicas. O objetivo do programa é conhecer a demanda reprimida de pacientes, quantificá-la e classificá-la por ordem de prioridade para atendê-los.

O público-alvo são pacientes com diagnóstico conhecidos de afecção cirúrgica crônica que estão aguardando na fila. Para o médico e deputado estadual Pedro Tobias, o programa irá proporcionar o encaminhamento dos pacientes e a realização de cirurgias eletivas de forma mais rápida.

“Tal iniciativa vem sendo elogiada pelo governador Geraldo Alckmin e pelo secretário estadual da Saúde, Luiz Roberto Barradas, que solicitam que o programa de Bauru seja implantado nos demais hospitais mantidos pelo Estado.

O diretor regional de Saúde, médico Affonso Viviani Júnior (DIR-10), órgão vinculado à Secretaria de Estado da Saúde, revela que o programa de cadastramento de pacientes começa amanhã junto às unidades básicas de saúde dos 38 municípios da região.

Da Redação

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