A Secretaria Municipal da Saúde anunciou ontem, durante o 1º Seminário Regional de Leishmaniose, que há 15 dias voltou a realizar exames em cães com suspeita de leishmaniose. O procedimento, utilizado para confirmar se os animais estão ou não com a patologia, foi suspenso no final de agosto porque os kits necessários para fazer o diagnóstico deixaram de ser distribuídos no País.
Segundo o secretário municipal da Saúde, João Sérgio Carneiro, os primeiros exames já foram remetidos ao Instituto Adolfo Lutz, responsável pela emissão dos resultados. “Recebemos um lote de 2 mil kits e, como já tínhamos mais de 1.000 amostras de sangue coletadas, reiniciamos o procedimentoâ€, relata.
Também presente ao seminário, a diretora técnica da Divisão de Doenças Transmitidas por Vetores e Zoonoses da Secretaria de Estado da Saúde, médica veterinária Roberta Maria Spinola, afirma que outros 4 mil kits já foram encaminhados para Bauru.
O fornecimento do material havia sido suspenso porque a Bio-Manguinhos/Fiocruz interrompeu temporariamente a fabricação do produto para que ele pudesse ser registrado junto ao Ministério da Agricultura e Produção Animal.
Quando os exames deixaram de ser realizados, a Secretaria da Saúde informou que passaria a sacrificar os cães com suspeita da doença mesmo sem o diagnóstico, desde que seus proprietários concordassem com o procedimento. A medida gerou, no entanto, protestos das entidades protetoras de animais de Bauru.
Somente neste ano, cerca de 8 mil cães tiveram o sangue coletado e cerca de 500 testaram positivo para a doença.
Diagnóstico
O seminário de ontem, promovido pelas Secretarias Municipal e de Estado da Saúde, Unimed, Universidade do Sagrado Coração (USC) e Associação Paulista de Medicina (APM), discutiu a importância do diagnóstico precoce para o tratamento da leishmaniose em humanos. Em 2004, 17 pessoas contraíram a moléstia e quatro morreram em Bauru.
“A doença tem peculiaridades e o diagnóstico é extremamente difícil. Queremos que os médicos, ao examinar um paciente, pensem primeiro na leishmaniose e depois nas outras patologiasâ€, destaca Carneiro.
O médico infectologista do Instituto Emílio Ribas, José Angelo Lauletta Lindoso, doutor em leishmaniose, reforça que é preciso ter uma atenção redobrada em relação à patologia para obter o diagnóstico precoce. “Há muitas doenças que têm uma manifestação clínica muita próxima da que ela apresentaâ€, argumenta.
A última etapa do seminário será realizada hoje, das 8h30 às 11h30, na USC.