Tribuna do Leitor

Fernando Sabino


| Tempo de leitura: 2 min

As notícias, às vezes, nos chegam de forma tão repentina que nos deixam com uma perplexidade misto de descrença, insatisfação, desgosto e uma horrível sensação de injustiça. Foi como me senti com a notícia da morte de Fernando Sabino, como se a morte não fosse “a coisa mais certa da vida”.

Como quase toda gente, tornei-me admirador de Fernando Sabino após a leitura de “O encontro marcado” e, por coincidência, naquele mesmo ano, o conheci pessoalmente. Quase três anos mais velho que eu, tratou-me (e foi assim sempre) como se tivéssemos a mesma idade e o mesmo calibre intelectual.

A última vez em que nos vimos foi aqui mesmo, em Bauru, quando veio para duas palestras para os alunos da antiga Fafil. Conversamos, trocamos reminiscências, jantamos, relembramos muitas coisas e ele chegou a adiantar alguns dos planos que até me pareceram bem distantes. Fernando Sabino tinha aquela indefectível tranqüilidade típica do mineiro, o seu humorismo nos fazia lembrar Horácio: “Ridendo castigat mores.” Humorismo, às vezes, irônico, às vezes, zombeteiro, mas sempre fino e muito agradável. Exemplo disto é “O grande mentecapto” e “A mulher do vizinho”.

A crônica desse extraordinário escritor é de uma sensibilidade social comovente e que chega a nos provocar um profundo sentimento de solidariedade humana como a que sentimos lendo a crônica sobre o aniversário da menina pobre, passado numa mesa de bar com o pai e a mãe, observados pelo narrador.

Como o êxito não é um fato estético, como ensinou-me meu saudoso professor de filosofia, Fernando Sabino não pertenceu à Academia Brasileira de Letras como um Paulo Coelho ou Zélia Gatai, mas o seu lugar de excelente cronista e romancista de primeira linha na nossa literatura está posto “per omnia secula seculorum”. Aqui fica a nossa homenagem de admirador e amigo.

José Benedicto Pinto - RG 4.440.349

Comentários

Comentários