Politicando

"Vaca mandada"


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O governador Adhemar de Barros foi a Campinas com sua comitiva para inaugurar o trecho da Rodovia Anhanguera que a ligava a S. Paulo. O ponto alto do evento seria o discurso do governador, num palanque armado em plena estrada. A respeito dessa visita, assim contava meu pai: - As homenagens nem bem tinham começado quando surge, no descampado, uma vaca. Alguma coisa deve tê-la irritado porque, sem mais, nem menos, ela ameaçava investir contra o pessoal.

O povo ficava com um olho no orador e outro na vaca. Ela parecia às vezes se acalmar, mas, em questão de segundos, olhava agressiva para o público. Alguns, disfarçadamente, foram buscando abrigo, mas o grosso da tropa permanecia firme. Até que aparece no horizonte um bando de 4 ou 5 reses. Aquela visão deve ter encorajado a vaca porque ela ameaçou, de vez, arremeter contra o pessoal. Houve um mal-estar geral.

Até o governador protegeu-se. Os mais medrosos chegaram a afastar-se para a beira da estrada. Todavia, com alguma dificuldade, alguém deu um jeito de espantá-la. No dia seguinte, meu pai comentou no almoço que o assunto no “caldeirão do diabo” de Campinas (Largo do Rosário), era que o governador fora ameaçado por uma vaca, com toda certeza, encomendada por inimigos políticos.

Por incrível que pareça, em política até um animal irracional é acusado de participar de artimanhas eleitorais E chega-se ao cúmulo de se considerar um simples bovino como “pau mandado”, ou instrumento a serviço de terceiros. É a lei elementar em política de se jogar uma acusação e o outro que se defenda!

Narrada por Rui Bertoti

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