Polícia

Pecuarista acusa sem-terra de furtos

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

Quase dois anos após a chegada de um grupo de sem-terra ao Horto Florestal Aimorés, na divisa entre Bauru e Pederneiras, o pecuarista Roberto Garcia Pagani, que tem documento da posse de uma fazenda no local, reclama que teve prejuízo de mais de R$ 3 milhões.

Ele acusa o grupo de furtar gado do pasto, peixes do açude, lenha e ferramentas da fazenda, de destruir cercas e de queimar vários alqueires de pasto e de plantação de eucalipto. Os sem-terra, do movimento Terra Nossa, negam as acusações e atribuem ao próprio fazendeiro os fatos relatados em boletins de ocorrência.

Atualmente, estão morando na área, em barracos de lona, 108 famílias oriundas das regiões de Campinas, Sumaré, Hortolândia e Bauru. Elas sobrevivem com cestas básicas doadas pelo Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra), ajuda da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e com alimentos cultivados na área.

Pagani, que na sexta-feira passada registrou mais um BO, reclama que as polícias Civil e Militar não estão agindo para coibir os furtos e os danos à sua propriedade. “Mataram a tiros um touro que valia R$ 5 mil e destruíram 200 metros de cerca. Todo mundo sabe quem fez isso. São os sem-terra”, acusa afirmando que entrará na Justiça contra o Estado com pedido de ressarcimento pelo prejuízo sofrido.

O pecuarista ainda acusa os sem-terra de possuírem armas e de existirem criminosos no grupo. Celso Costa e Kringer Bueno, representantes dos sem-terra, negam todas as acusações e afirmam que Pagani tenta denegrir a imagem do movimento. “A cerca foi destruída por eles (funcionários da fazenda), o fogo foi colocado por eles. Até registramos um boletim de ocorrência relatando isso”, diz Costa.

Bueno afirma que os animais que Pagani diz terem sido abatidos pelos sem-terra foram vendidos ou mortos pelo próprio fazendeiro. “Ele acusa os sem-terra, mas quero ver ele comprovar isso. Ele quer brigar, vá brigar com o Incra, com a União porque a terra nem é dele”, retruca. Sobre a acusação que no acampamento há armas e pessoas envolvidas com crime, ele também nega. “São os funcionários dele (Pagani) que andam armados”, diz.

O delegado Eduardo Sganzela, da Delegacia de Pederneiras, onde Pagani está registrando os boletins de ocorrência, diz que todas as acusações estão sendo apuradas. “Temos vários inquéritos policiais, alguns já foram enviados ao Fórum e não sei saíram decisões. Outros estão em andamento. Ele (Pagani) acusa, mas até agora, ninguém foi pego em flagrante”, frisa.

O major Pedro Batista Lamoso, subcomandante operacional do 4.º Batalhão da Polícia Militar (4.º BPM-I), afirma que sempre atendeu as solicitações de Pagani. “Quando somos acionados, viaturas de Bauru e de Pederneiras vão até o horto. Já fizemos três abordagens e revista aos sem-terra e não encontramos armas e nem procurados pela Justiça. Nós não podemos destacar uma viatura só para esse caso. Bauru tem 350 mil habitantes e a situação lá não é de acirramento de conflito”, explica.

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