Auto Mercado

Senhores das ruas

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 2 min

Não é incomum encontrar pessoas por aí que, após viajarem para o exterior, retornaram ao País surpresas com o comportamento dos motoristas de outras nações, principalmente as européias, em relação aos pedestres. Há quem relate que basta ao transeunte colocar um dos pés na faixa de segurança das vias para, em fração de segundos, todos os motoristas pararem seus veículos e lhe ceder a passagem.

O bauruense Fábio Rocha, um dos coordenadores da unidade local do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), é um dos que comprovam isso. Em função de seu trabalho, já viajou para a França, Coréia e Suíça e afirma ter “cansado” de presenciar a cena. “Normalmente, é a primeira coisa que se nota em um país desenvolvido. Eu mesmo coloquei o pé na faixa e os carros pararam imediatamente. Além disso, os motoristas reclamam muito quando um pedestre atravessa fora dos locais que lhes foram destinados”, conta.

Para Rocha, a mentalidade do europeu em relação ao trânsito leva em consideração o fato de que os pedestres surgiram primeiro que os veículos e, por isso, devem ter preferência absoluta de circulação. “Quem está ocupando os espaços nas vias são os transeuntes. Com o nascimento dos carros, o mundo precisou ser moldado e adaptado para a co-existência entre eles e, nesse sentido, os pedestres levam vantagem. Essa é a lógica deles”, enfatiza.

Outro que também sentiu essa diferença foi o diretor comercial bauruense Anderson Scalassara quando precisou deslocar-se até a França. “Realmente a atitude dos condutores europeus é surpreendente. Por isso, creio que para o Brasil atingir tal mentalidade seja necessário conscientizar, informar e, principalmente, intensificar a fiscalização para punir os infratores”, ressalta.

Mas, apesar das diferenças, eles não consideram utópica a possibilidade do País também transformar-se em um exemplo de respeito aos pedestres. “Qualquer coisa que se plante após determinado tempo se colhe. Assim, acredito que um trabalho intenso de conscientização, aliado a uma política séria, pode transformar essa situação”, acredita Rocha. “Precisamos também intensificar a fiscalização e a punição”, conclui Scalassara.

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Autodefesa

Motoristas bauruenses entrevistados pela reportagem, que preferiram não se identificar, admitiram que realmente o desrespeito para com os pedestres é comum. Entretanto, ponderaram que não são os únicos “culpados” da inobservância às normas legais. “O desrespeito é mútuo, pois tem transeunte que também não está nem aí e atravessa a rua em qualquer lugar”, ressalta um deles. “Nem a pressa e a correria do dia-a-dia justifica isso”, acrescenta.

Já outro condutor segue igual linha de raciocínio, mas é irônico ao comentar o comportamento no trânsito de pedestres e motoristas. “Se estivéssemos na Suíça até poderíamos culpar apenas quem anda de carro. Aqui no Calçadão os pedestres avançam sobre os veículos mesmo quando o semáforo está vermelho para eles ”, critica.

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