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Motoristas x pedestres: questão de bom senso

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 2 min

A legislação brasileira estabelece ao pedestre posição privilegiada no trânsito ao lhe garantir preferência absoluta de circulação nas vias. Entretanto, diferentemente dos condutores europeus, considerados exemplos de respeito aos transeuntes (veja texto Senhores das ruas), são raros os momentos de obediência à lei por parte dos motoristas brasileiros.

Em Bauru, a situação não é diferente. Basta observar a atitude dos motoristas próximos aos sinaleiros, principalmente onde as aglomerações de pedestres e carros são maiores, como nas ruas centrais. Isso pode ser visto quando os semáforos tornam-se verdes para os carros e, em certos momentos, a pressa e a ânsia por arrancar com os automóveis é tamanha que nem mesmo a presença de um transeunte, e a clara possibilidade de atropelá-lo, são suficientes para diminui-las.

Tal hábito, além de afrontar a legislação, aumenta e muito a probabilidade de atropelamentos, que só no mês passado em Bauru foram registrados 13. Mas será possível transformar essa realidade? Segundo o tenente Fabiano Serpa, da 1ª Companhia da Polícia Militar de Trânsito, a resposta é positiva, mas não a curto prazo. “Os países-modelos no tratamento aos pedestres já têm enraizados em suas culturas há centenas de anos essa mentalidade que, na prática, gera hábitos salutares. Apesar disso, não creio ser utópico atingirmos os níveis de educação no trânsito dessas nações, mas não tão rápido”, enfatiza.

Para Serpa, é preciso intensificar o desenvolvimento de programas educativos nas escolas e a fiscalização. “Enquanto as instituições podem ajudar a formar os futuros condutores de maneira correta, a fiscalização inibe a imprudência dos que já são motoristas e diminui a sensação de impunidade”, considera.

O sargento Silvio Carlos Rossi, um dos mais experientes da corporação, destaca, ainda, a ausência de envolvimento da comunidade com a legislação de trânsito. “Fazemos bloqueios educativos há mais de 20 anos e notamos a falta de comprometimento das pessoas com as normas da lei. E o desrespeito dos motoristas para com os pedestres é apenas uma delas”, sustenta.

Serpa concorda, ainda, que até mesmo os centros de formações de condutores também deveriam colaborar na tarefa de conscientização dos candidatos a se habilitarem. “Percebemos que há auto-escolas comprometidas em educar e instruir corretamente seus alunos nesse sentido, mas também há aquelas descompromis-sadas com esta necessidade”, pondera o tenente.

Já o capitão Benedito Roberto Meira, comandante da 1ª Companhia, lembra que a garantia legal de preferência dada aos pedestres também não deve servir de desculpa para o cometimento de abusos. “O artigo 70 do Código é claro. Os transeuntes que estiverem atravessando a via sobre as faixas delimitadas para este fim terão prioridade de passagem, exceto nos locais com sinalização semafórica, onde deverão ser respeitadas as disposições deste Código”, conceitua.

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