A sensibilidade feminina e um feeling aguçado são as “armas” que a assistente social Shalimar Nogueira Angerami, 49 anos, coloca em campo para ajudar o marido, o candidato a prefeito Tuga Angerami (PDT), a se guiar pelo tumultuado bastidor político. “Quando eu tenho restrições com relação a pessoas, elas acabam se confirmando”, revela.
Shalimar acredita que o fato de acompanhar a movimentação política de bastidores mais a distância, sem envolvimento direto, é um facilitador para uma leitura menos apaixonada da realidade. “Eu escuto, vejo as coisas do lado de fora. Isso facilita a avaliação. Não é intuição e nem sexto sentido”, garante.
Desde que Tuga decidiu ingressar na política, na condição de vice-prefeito na gestão de Edison Bastos Gasparini, sua mulher se manteve discreta, longe das lentes dos fotógrafos. Ela evita exposição, mas explica que é um comportamento espontâneo.
Logo após Tuga assumir o comando da Prefeitura de Bauru, em 1983, com a morte de Gasparini, Shalimar confessa que foi surpreendida pelo destino. “O Tuga tinha 32 para 33 anos. Tínhamos voltado há pouco tempo dos Estados Unidos, onde ele fez o mestrado. O plano era retornar para lá para que ele fizesse o doutorado”, recorda.
A mulher do candidato pedetista comenta que sempre ficou na retaguarda durante as atividades políticas do primeiro mandato, que se iniciou em 1983 e se estendeu até 1988. “Os meus filhos eram muito pequenos. Não quis abrir mão disso”, justifica.
Formada assistente social pela Instituição Toledo de Ensino (ITE), Shalimar diz que não sente frustração pelo fato de não ter exercido a profissão. “Fui privilegiada de poder ficar com os meus filhos. Não me arrependo. Não hesitaria em tomar de novo essa decisão”, reforça.
A carreira política do marido não a incomoda. “Ele gosta de fazer política. E eu o apóio. Sou fã dele”, elogia.
Hobby
Avó de dois netos, Shalimar ainda divide seu dia com o passatempo predileto: plantas e hortas. Ela garante que boa parte dos legumes e hortaliças consumidos pela família é produzida nos canteiros que diariamente recebem sua atenção. “Isso me faz muito bem”, conta.
“Quem fica com o neto sou eu. Ele ainda é muito bebê para freqüentar a escolinha”, argumenta com ar de vó coruja. A ocupação com o neto é um dos motivos que restringe o acompanhamento de Shalimar nas andanças do marido pela cidade durante a campanha.
“Já fui em pelo menos três caminhadas. Fui em encontros organizados por igrejas evangélicas. Quando eu posso, vou. Mas não há cobrança. O Tuga me compreende”, diz.
A boataria é um ponto que incomoda a assistente social. No transcorrer da campanha do primeiro turno, a família foi surpreendida com a notícia de que não residia mais em Bauru. “Nunca saímos de Bauru. Nem mesmo quando o Tuga exerceu mandato em Brasília”.
Embora apoie a carreira política do marido, Shalimar não gostaria de ver os filhos seguindo o mesmo caminho. “Meu filho foi líder estudantil, foi orador de turma, foi representante dos residentes na época de greve em Campinas. Ele é bem politizado, mas acho que mandato eletivo não”, opina.
Seguindo à risca sua discrição, ela se opõe às funções tradicionalmente exercidas por uma primeira-dama. “A Secretaria de Projetos Comunitários, Seprocom, cumpriu muito bem esse papel.”