O papel do cristão é o de contestador! Há dois mil anos Deus nos enviou seu filho para nos trazer sua mensagem de forma muito simples e muito clara. Para entendê-la basta procurá-la no Novo Testamento, basta conhecermos a história de uma vida pautada pela luta contra as estruturas injustas e aqueles que oprimiam e escravizavam o povo. Jesus Cristo tomou posições que fizeram dele uma pessoa polêmica, ou seja, amada e elogiada por muitos, porém odiada e criticada por outros.
No tempo de Jesus, a Palestina também tinha seus problemas sociais, morais, econômicos, religiosos e políticos. Ele não ficou alheio a nada disso, participava da vida de seu povo e tinha sempre uma palavra de repreensão àqueles que faziam o povo sofrer, para aqueles que sofriam tinha sempre compaixão (Mc. 6,34).
Na época de Jesus também havia partidos políticos. Jesus tinha uma opção muito clara. Ele fazia a política com P maiúsculo, que é a política do bem comum, da vida digna para todos. Não desprezava os partidos, mas estava acima deles. As posições que tomava mostravam que estava ao lado dos pobres, dos humilhados, dos discriminados, dos marginalizados. Sua missão era essa, para isso foi enviado (Lc. 4,16-21).
Nesses 2 mil anos de cristianismo, a Igreja sempre tomou posições, muitas vezes errou e muitas vezes acertou. Devemos lembrar que a Igreja é feita de homens e mulheres e não de anjos, e pessoa humana erra e acerta. A verdade mais inquestionável é que a Igreja tem uma lista interminável de mártires que defenderam a vida, que foram autênticos seguidores do Mestre Jesus. As religiões cristãs para serem autênticas, devem fazer política com P maiúsculo como fez Jesus: defender a vida dos inocentes, dos pobres, dos marginalizados, criticar as diferenças sociais e apontar alternativas para que haja “vida para todos” e não apenas para alguns.
Diante das injustiças é mais fácil calar, quem cala não corre riscos. Há muita gente que ainda acha que basta rezar, contradizendo o próprio ensinamento de Jesus. Ele não se calou e, por isso, a Igreja não pode se calar, precisa ser voz profética. Na sociedade em que vivemos hoje, não basta apenas termos boas ações em favor dos oprimidos, precisamos fazer com que o bem comum seja, de fato, o objetivo maior de nossos governantes e nós podemos influenciar nisto através do nosso voto, da nossa ajuda e apoio aos candidatos comprometidos com a mensagem de Jesus.
Os documentos da Igreja sempre apontam para a necessidade dos cristãos participarem na sociedade em todos os lugares, também na política partidária, onde devem ser “fermento na massa” (Mt. 13,33).
No tempo de Jesus, na Palestina havia dois partidos políticos, os Publicanos, partido dos grandes proprietários de terras, dos grandes comerciantes e dos poderosos que não queriam mudanças, pois estas poderiam ameaçar seus interesses pessoais, e os Zelotas, partido que congregava os trabalhadores, os marginalizados e os excluídos que lutavam por transformações na sociedade em que viviam, lutavam por uma vida mais justa, mais digna, por uma distribuição mais justa das riquezas, pois poucos tinham muito e muitos não tinham nada.
Embora Jesus Cristo nunca tivesse participado da política partidária, sua mensagem foi confundida pelos poderosos que massacravam e oprimiam o povo com o discurso dos zelotas e por isso foi condenado e morto na cruz. Conhecendo a vida e a mensagem de Jesus, fica muito fácil para o cristão de se posicionar diante da realidade sócio-político-econômica e estruturas injustas em que vivemos. (Odair Machado - RG 4.969.663-4)