Tribuna do Leitor

QUEIMADAS - DEBOCHE E HIPOCRISIA


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Era uma vez um rei meio bobinho, que desfilava sem roupas pelas ruas de sua cidade, fingindo que acreditava usar traje real de tecido tão fino que era impalpável. Na realidade, ele estava nu. É que alguns espertalhões, percebendo a ignorância de sua majestade, mentiram ser fabricantes desse tecido especial e com todo deboche conseguiram convencê-lo a mostrar ao povo sua roupa nova caríssima. O povo, muito submisso, por medo fingia que acreditava e aplaudia o rei.

Mas uma inocente criança que não sabia fingir gritou: “Olhem, o rei está pelado.” As pessoas então resolveram parar de fingir e vaiaram o rei. Em relação com as queimadas de cana e meio ambiente também está assim. Mentiras, deboches, hipocrisias. Canavieiros fingem que estão corretos, e parte da população finge que acredita. Conseguiram também convencer políticos, ambientalistas, agrônomos e até médicos a acreditarem que essa maldita poluição não afeta nossa saúde. Será em reuniões macabras e satânicas? Lavagens cerebrais? Poções de fórmulas estranhas? Nunca saberemos.

Tivemos a campanha de conscientização contra fogo no mato de terrenos que polui, campanha contra tabagismo que ataca os pulmões. Por que será que só a fumaça da cana não faz mal? É óbvio que faz. Não só no inverno, mas na primavera, verão, outono, durante o dia e a noite com ventos ou sem ventos. Com esse estranho poder de persuasão, vão tentar convencer nossos governantes a cortar as poucas árvores que restam, das praças públicas tão úteis às pessoas e faunas, para plantar mais cana, inclusive nos quintais das casas, telhados, calçadas e beira dos córregos, etc. Dizem que o importante é debate.

Debater mais o que depois de 45 anos de queimadas? Isso é enrolação, tapeação, embromação, engabelação, etc. Enquanto debatem, o tempo passa e lá se vão mais 30 anos de ecoterrorismo contra a Natureza e contra o povo que perdeu o direito à cidadania. E à noite, enquanto arde a fogueira nos canaviais, os poluidores poderosos fingem que dormem “tranqüilos” com pesadelos, agradecendo ao “capeta” mais um punhado de dólares que entrará na sua gorda conta bancária, graças ao sofrimento de seus empregados e do povo que perdeu o simples direito de poder respirar um pouco de oxigênio. Até quando, meu Deus? (Maria L. Ferreira - artista plástica - Jaú)

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