Regional

Empenho político pode aflorar plantio regional

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Cabe à classe política de Bauru o papel de tornar o município atrativo para a instalação da indústria de processamento da laranja. “Este é o primeiro passo para alavancar a citricultura na região”, avalia Maurício Lima Verde, presidente do Sindicato Rural de Bauru e Região e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp).

Na opinião dele, Bauru pode se tornar um pólo citrícola. “Nós reunimos várias condições necessárias para isso. É preciso ter agroindústria e novos investimentos. Se houver empenho da área política com as entidades de classe, em alguns anos podemos ter bons resultados em todas as áreas.”

Para ele, o plantio e colheita da fruta vai gerar empregos para a classe menos favorecida, porque não exige mão-de-obra qualificada, que, por sua vez, vai beneficiar o setor urbano. “Eles vão ter que comprar no comércio e com isso vão movimentar a indústria. É uma cadeia.”

A idéia, segundo Lima Verde, é a instalação de um distrito agroindustrial. “Vamos ver como se comporta a política local. Eu vejo a laranja, a médio prazo, como um dos melhores setores agrícolas. A citricultura pode ter ótimos resultados para a nossa região. Bauru tem 80% de área rural, fora os demais municípios da região.”

Condições excepcionais

A região de Bauru reúne condições excepcionais, na opinião do presidente do Sindicato Rural, Maurício Lima Verde. “A região de Bauru é relativamente virgem para a citricultura. A cidade é entroncamento rodo ferroviário, tem terras relativamente baratas, tem logística, além do porto seco e um comércio pujante.”

O sindicalista lembra que há 15 anos a Secretaria da Agricultura fez um levantamento e elegeu a região como a mais apta para o cultivo de citrus. “Evidentemente que para poder alavancar isso é preciso uma série de condições paralelas.”

Segundo ele, a laranja está entrando na região, como em Iacanga, Arealva e outros municípios, de maneira agressiva. “São grandes empresas que trazem consigo grandes investimentos. Já temos alguns pomares, relativamente grandes, com plantação de laranja de mesa. Essas áreas foram extremamente valorizadas.”

Outro fator que deve mudar o panorama da agricultura regional é o aumento do número de vagas na lavoura. “A laranja oferece empregos e resolve um problema social. Estamos lutando para atrair grandes investidores. Empresas grandes, como o Grupo Votorantin e outras multinacionais estão adquirindo áreas nessa região, isso é um sinal positivo.”

O sindicalista só não concorda com a dependência que o Brasil mantém com o mercado internacional. “Temos que desenvolver outros mecanismos para o comércio da fruta. Não podemos depender só deles. Se não qualquer problema que dá por lá afeta o preço da fruta aqui.”

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