A cidade de Itápolis (115 quilômetros a noroeste de Bauru) é considerada a Capital da Laranja, mas teve seu auge entre os anos 80 e 2000. Está fincada na mais importante região citrícola do País e é a responsável por cerca de 15% da safra nacional. No auge da laranja nessa região, o maior município do Brasil, tinha sua área cultivável repleta de pomares de laranja.
“O clima quente e o aparecimento de doenças incontroláveis afugentou os produtores da fruta que começaram a migrar para a região compreendida entre Bauru e o Estado do Paraná”, explica o comerciante Norival Braguini, que desde 86 trabalha com o comércio de laranja naquela cidade.
Norival elenca outros problemas que forçam a migração dos pomares. “O preço da terra contribui. No noroeste paulista, em função do cultivo de citrus, as terras foram muito valorizadas, enquanto que na região oeste, central e sul o preço é menor. Com o mesmo valor se compra uma área maior.”
O envelhecimento dos pomares da região noroeste do Estado é outro fator que estimula a migração, acredita ele. “Os pomares envelheceram e a produtividade diminuiu. Um pomar produz durante cerca de 20 anos, depois desse período tem que ser substituído.”
O sócio do comerciante, Ed Wilson Rita, frisa que os produtores ainda estão substituindo as culturas por laranja. “Mas a tendência é a substituição por outras culturas como a cana, milho, soja, algodão e amendoim. Ainda é prematuro falar sobre isso. O produtor está indeciso, pensando no que vai investir. Pode ser um outro cultivo que apresente melhor desempenho no mercado.”
No passado
Braguini ressalta que a produção já foi muito maior do que é hoje. “O preço compensava o investimento, porque não havia tantas doenças e o custo da produção era menor. A agricultura da cidade ainda vive da laranja, mas os produtores estão tendo um lucro bem menor, em função das doenças.”
O comércio da fruta teve seu auge na década de 80 e 90. “Eu comercializava de 3 a 4 mil caixas/dia de laranja de mesa para o mercado interno. Hoje, vendo de 500 a 1.000 caixas.”
Para a indústria de sucos, Braguini mandava o descarte. “Eu chegava a vender de 300 a 400 mil caixas por safra. Atualmente, comercializo 50 mil caixas por safra. Com o envelhecimento dos pomares, a produção caiu.”
Ranking de 2003
Brasil: é o maior produtor e exportador de suco concentrado de laranja do mundo.
Área plantada: 861 mil hectares
Área colhida: 828 mil hectares
São Paulo: responde pode 80% da produção brasileira com 590 mil hectares de área plantada
Toneladas de suco produzidas no mundo
Brasil - 1.086 milhão
Estados Unidos - 859 mil
Espanha - 58 mil
Itália - 38 mil
México - 36 mil
África do Sul - 22 mil
Preço por caixa - SP
Laranja para indústria
2002 - R$ 8,32
2003 - R$ 9,63
(Preço aumentou quase 16%)
Laranja mesa
2002 - R$ 10,61
2003 - R$ 12,63
(Acréscimo foi 19% no preço)
São Paulo / Indústria
Produção
2002 - 253.219.297 caixas
2003 - 228.994.200 caixas
(Queda de Valor 9,57% na produção)
2002 - R$ 2.106.784.551,00
2003 - R$ 2.205.214.146,00
(acréscimo de 4,6%)
Dados IBGE