Economia & Negócios

Mercado de Bauru na rota do vinho gaúcho

Da Redação
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O mercado da região de Bauru está no alvo de uma das principais vinícolas do País, a Miolo. Com sua sede matriz localizada em Bento Gonçalves (RS), 40% de todo o volume de comercialização da empresa no mercado interno concentra-se no Estado de São Paulo. Bauru, por sua localização estratégica, faz parte dos projetos de ampliação da vinícola.

“A empresa está passando por uma nova fase, seguindo um amplo plano estratégico que delimita metas até 2012. Bauru é uma cidade muito importante para nós, assim como toda a região, porque tem um público considerável de apreciadores de vinho. Isso nós pudemos constatar por meio de empresas que comercializam nossos produtos na cidade”, observa Fábio Miolo, um dos proprietários da empresa de formação familiar.

Recentemente, ele esteve em Bauru participando de um evento numa loja de produtos nacionais e importados que é representante da Miolo na cidade. Na ocasião, foram apresentados ao público os planos de expansão da empresa e uma bebida de cada um dos três projetos que estão sendo desenvolvidos no momento.

Em 2003, a Miolo encerrou o ano com aproximadamente 5,5 milhões de garrafas de vinho comercializadas - para os mercados interno e externo. Antes da implantação dos atuais projetos de expansão, que começaram a ser aplicados em 1998, a média era de 600 mil garrafas/ano. Para 2004, a previsão é de vender 10% a mais em relação ao volume do ano passado. O faturamento da empresa em 2003 foi de aproximadamente R$ 51 milhões.

Em relação às exportações, no ano passado foram enviadas cerca de 50 mil garrafas para seis países: Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, Bélgica, República Tcheca e Espanha. Para este ano, a previsão é de que o balanço seja encerrado com um salto para 220 mil garrafas exportadas (aumento de 340%).

“Nossa meta até o ano 2012 é de produzir 15 milhões de garrafas de vinho no Brasil e exportar cerca de um terço disso. Para tudo isso, estamos ampliando as áreas de plantação de uvas. No Vale dos Vinhedos em Bento Gonçalves (que recebe cerca de 100 mil turistas/ano), temos uma área de 100 hectares próprios da família e em torno de 300 hectares pertencentes a 80 produtores que nos fornecem uvas.”

Segundo Fábio Miolo, a vinícola tem investido pesado em tecnologia e outros processos de qualidade em todas as linhas de vinhos e espumantes produzidos pela empresa. “No ano passado nós contratamos a consultoria de um enólogo (estudiosos de vinho) francês, Michel Roland, que presta serviços para 100 empresas em 12 países. Realmente, a empresa vem dando saltos de qualidade nos últimos anos, e pretendemos nos tornar referência de vinho brasileiro de qualidade”, destaca.

“No momento, estamos tocando três projetos. O principal deles é o Vale dos Vinhedos, que fica em Bento Gonçalves. Lá, nós estamos caminhando para ter a denominação de origem, ou seja, marcar os vinhos produzidos especificamente com uvas daquela região. Isso já ocorre em países como França, Itália e Espanha. As outras duas frentes estão no Nordeste, onde temos uma planta de produção no Vale do São Francisco (produtos da linha Terranova) e a terceira frente é a que fica em Candiota, no extremo sul do Rio Grande do Sul, divisa com o Uruguai”, acrescenta Miolo.

A Vinícola Miolo é acionista do Villa Europa Spa do Vinho, que constará entre os melhores centros de vinoterapia do mundo e tem previsão para terminar de ser construído dentro de 18 meses, no Vale dos Vinhedos. O spa vai oferecer tratamento estético e de rejuvenescimento.

Premiações

A Miolo tem várias premiações, nacionais e internacionais, em seu currículo. Entre elas está uma medalha de prata conquistada para o vinho “Miolo Quinta do Seival Castas Portuguesas 2003”, obtida na Alemanha, no Concurso Mundus Vini Internationale Weinekademie. Ao todo, 3.578 amostras foram inscritas.

O mesmo vinho ganhou medalha de ouro no 13º Concurso Internacional de Vinhos - Vinoforum 2004, realizado de 7 a 10 de julho na cidade de Pezinok, a 20 quilômetros da Capital Bratislava, na República Eslováquia. Tradicional no cenário mundial, o concurso já foi realizado na Áustria, Eslovênia, República Tcheca e Croácia.

Participaram do concurso 726 amostras de 25 países. A avaliação foi conduzida por seis júris, cada um formado por cinco membros renomados internacionalmente, verdadeiros experts em vinho, segundo informações da Associação Brasileira de Enologia (ABE).

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Safra 2004

“O clima foi um fator extremamente importante que contribuiu para a qualidade da safra da uva deste ano, porém, não o único”. A afirmação é do pesquisador em Climatologia da Embrapa Uva e Vinho, Francisco Mandelli, conforme consta em um artigo seu publicado no site da Associação Brasileira de Enologia. Segundo ele, as condições climáticas foram favoráveis para o cultivo da fruta no Brasil este ano, desde a brotação, floração até a maturação e, conseqüentemente, a colheita.

O pesquisador explica que de nada adiantaria o favorecimento do clima se não estivesse associado ao processo o manejo adequado da parreira. Como o inverno de 2003 foi favorável e não houve maiores danos com as geadas tardias e com a floração, já era possível assegurar ainda no início de dezembro do ano passado que esta seria uma safra de alta produção.

Naquele período, a qualidade ainda não estava assegurada, o que iria ocorrer somente durante a maturação, fase que transcorre desde a mudança da cor da baga até a colheita. O processo de maturação, que dura em média de 35 a 50 dias, acontece entre os meses de dezembro, janeiro e fevereiro. Nesta safra, a colheita das uvas teve alto teor de açúcar.

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