Saúde

77% dos avaliados têm risco cardíaco

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

Dentre os resultados mais surpreendentes da pesquisa “Saúde do Trabalhador de Saúde”, realizada pelo Departamento de Educação Física da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, os que mais chamaram a atenção dos pesquisadores foram o risco cardíaco e o sedentarismo - presentes em 77% dos 30 profissionais avaliados na primeira amostragem.

“É como diz o ditado: em casa de ferreiro, o espeto é de pau. O trabalhador da saúde cuida e orienta toda uma população e ninguém cuida da saúde destes profissionais - nem eles próprios”, comenta o professor e coordenador da pesquisa, Henrique Luiz Monteiro.

“O serviço já é pesado, uma carga de trabalho estressante, num ambiente ruim, convivendo com doenças e mortes, sob risco de contaminação. Tudo isso, aliado ao sedentarismo, tabagismo (30% fumam) e, muitas vezes, dois, três empregos, gera um quadro muito preocupante”, acrescenta.

“A minha avaliação foi péssima. Os exames mostraram que meu colesterol está alto, minha pressão está alta - não pude nem concluir o exercício na esteira. E ainda sou fumante”, conta a auxiliar de serviços Marili Lopes.

Nem mesmo a limpeza pesada que ela faz nas dependência da Direção Regional de Saúde (DIR-10) e a rotina de subir e descer escadas o dia todo evitaram que seus testes apresentassem resultados ruins. “A gente vai deixando de lado a saúde. Meu trabalho não é sedentário, mas não faço aquela atividade física recomendada”, admite.

A avaliação também não foi muito boa para o enfermeiro de saúde pública Amilton Alves Teixeira, que coordena os programas relacionados a doenças crônicas não-transmissíveis na DIR-10.

“Sempre fui dado a exercícios, mas, depois que entrei na faculdade e comecei a trabalhar, fui parando. Até 1987, eu jogava pelo menos duas ou três vezes por semana. Mas parei, engordei, a dor na coluna foi piorando (...) Nem me assustei com os resultados da minha avaliação, porque já conheço minhas limitações físicas”, destaca.

Hoje, Teixeira coordena diversas atividades voltadas à qualidade de vida do trabalhador na DIR-10. “Promovemos eventos em dias de combate ao tabagismo, à obesidade, dias de incentivo à atividade física, à alimentação saudável. Fazemos cartazes, peças de teatro, seminários, palestras e agora estamos fazendo essa parceria com a Unesp para oferecer um programa de atividades físicas aos funcionários, afirma.

A realização regular de exercícios físicos aliada a uma alimentação equilibrada e a um sono de qualidade são, comprovadamente, os três pilares de sustentação para a saúde humana.

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