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Para psiquiatra, hábito pode ser prejudicial ao desempenho

Diego Molina
| Tempo de leitura: 2 min

A presença constante de universitários em bares durante e após a aula tem grandes chances de prejudicar seu desempenho nas aulas, trabalhos e provas. No entanto, o perigo é maior entre os jovens que têm o costume de exagerar com a bebida alcoólica, especialmente em festas. Essa é a opinião da psiquiatra Florence Kerr-Corrêa, professora da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu e coordenadora do projeto Viver Bem, que presta orientação a universitários sobre o uso de drogas e álcool.

Ela comenta que os levantamentos realizados com universitários de diversos câmpus da Unesp nos últimos anos apontam que cerca de 75% dos entrevistados haviam ingerido algum tipo de bebida alcoólica nos últimos 30 dias. De acordo com a psiquiatra, o padrão de consumo perigoso do álcool foi constatado em 25% dos estudantes que bebem.

“O padrão perigoso que apontamos é ficar de porre, tomar um fogo mesmo, ou seja, ingerir mais de cinco drinques de uma só vez. Esse comportamento, sim, é o grande vilão da questão do consumo de álcool. Mas não é a maioria dos estudantes que vai todos os dias para o bar”, explica. Quando uma pessoa exagera no consumo, segundo a psiquiatra, os padrões de sono e de memória ficam desestruturados, e é preciso de pelo menos três dias para que o corpo volte ao seu normal.

Kerr-Corrêa critica a maneira como as bebidas alcoólicas são vendidas no Brasil, ao comparar a situação com outros países, como os EUA. “O acesso aqui é praticamente livre e barato. Só se encontra bebida barata nos países de terceiro mundo. Em países desenvolvidos, além do álcool ser caro, não é qualquer pessoa que pode vender. É necessária uma licença especial que também custa caro para o estabelecimento”, diz.

Para a psiquiatra, o consumo moderado de bebidas pode, realmente, facilitar a aproximação entre as pessoas e a interação social. “Não posso negar que o álcool, usado de maneira adequada, é bastante gostoso”, pondera. Ela recomenda que as pessoas tomem sua cerveja ou seu drinque após ter se alimentado ou comendo alguma coisa, para que os efeitos da substância no organismo sejam reduzidos.

“Você pode também beber uma água ou refrigerante junto com a bebida, mas não é correto matar a sede com cerveja. O problema é ingerir depressa demais. Muita gente não sabe beber. Se você aprende a beber devagar, aproveitando aquele momento, pode ter os benefícios sem ter os percalços, como uma ressaca ou enjôo e vômito”, conclui.

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