Tribuna do Leitor

Curriculum vitae


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Criei-me na roça onde não havia escola rural. Mais de légua distante de Itabuna. Minha santa mãe, não sei como, aprendeu um pouco a ler e escrever sem ter freqüentado escola. Ensinou-me a carta do ABC e quase toda a tabuada. Treinou-me também na escrita. No começo, escrevia a lápis para que eu cobrisse as letras a tinta. Até segurava minha mão para que eu copiasse corretamente o seu cursivo feminino. Tive também algumas aulas de leigas vizinhas do nosso sítio. Mais crescido, fazia a pé a distância até uma escola pública na cidade. Não cheguei a terminar o primário. Fui trabalhar na cidade, mas não perdi a vontade de aprender mais. Tomei aulas particulares de gramática, aritmética e escrituração mercantil, e também estudei por correspondência. Sempre tive facilidade de aprender com os professores de papel - o livro, a apostila, o jornal e a revista. Foi assim que, nos anos 40 e 50, logrei aprovação em concursos públicos. Primeiro, para o escritório da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Depois, para agente municipal de estatística do IBGE. A seguir, o concurso de escrivão de Coletoria do Ministério da Fazenda; finalmente, o de coletor federal. Estes dois últimos, realizados pelo então Departamento Administrativo do Serviço Público, o rigoroso Dasp. Na época, nenhum desses concursos exigia escolaridade. Só conhecimentos manifestados nas provas escritas. Por isso, não estranho que o nordestino Lula tenha se tornado o mais alto funcionário público do País somente com a prova das urnas.

Omar Barreto - RG 5.663.388-9

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