Bairros

Perito da USP analisará 'caso Ajax'

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 2 min

O médico Paulo Saldiva, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), da Capital, esteve anteontem e ontem em Bauru para iniciar os preparativos da perícia que fará a respeito do caso de contaminação causada pelo setor metalúrgico da fábrica de baterias Ajax, interditado desde janeiro de 2002, quando análises constataram a presença de chumbo no ar, água e solo.

Professor do Departamento de Patologia e chefe do Laboratório de Poluição da USP, Saldiva foi indicado pela Justiça para elaborar um laudo técnico que integrará a ação civil pública proposta pela organização não-governamental (ONG) Instituto Ambiental Vidágua. Saldiva é o segundo perito no caso - o primeiro foi impugnado pela ONG após admitir que não poderia verificar todos os quesitos listados na ação.

Por isso, a Justiça determinou que uma instituição pública, no caso a USP, indicasse um profissional qualificado. Saldiva chegou a Bauru anteontem, ocasião em que estudou os 20 volumes do processo. Ontem, o perito visitou as instalações do setor metalúrgico da Ajax, acompanhado de três integrantes do Vidágua, três técnicos e um advogado da empresa, além de um representante do Ministério Público (MP).

Invocando o segredo de Justiça, o perito evitou comentar sua visita às instalações do setor metalúrgico da fábrica, mas destacou que apenas fez uma vistoria para poder planejar a perícia propriamente dita.

“Vim apenas ‘examinar o paciente’, mas só posso falar com dados concretos”, disse Saldiva, já do lado de fora da fábrica - a reportagem foi impedida de acompanhar a visita. Ele admitiu, no entanto, o estado de deterioração das instalações, em função dos quase três anos de inatividade da unidade industrial.

O secretário-executivo do Vidágua, Ivan Ferrazoli de Marche, que acompanhou a operação, confirmou o seu objetivo e adiantou que a próxima visita do perito já está agendada para o dia 10 de novembro, ocasião em que serão realizadas coletas de material para análise. “O Vidágua foi intimado a acompanhar a visita para indicar os locais de recolhimento das amostras de solo e para verificar se o perito é qualificado para analisar todos os quesitos da ação”, explicou Marche.

Segundo o dirigente da ONG, mesma havendo a possibilidade de uma negociação com a empresa, o Vidágua rejeita qualquer possibilidade de recuar na ação que pede o reparo ao dano ambiental e à saúde da população. “A Ajax não fez nada até agora para reparar o dano que causou ao meio ambiente e faz muito pouco para ajudar a população afetada. O tratamento clínico está sendo bancado pelo Estado”, diz Marche.

O advogado da Ajax, Roberto Abramides, afirmou que a empresa só se manifestará sobre o caso após a conclusão da perícia judicial. Ontem, no portão da unidade industrial, Abramides se limitou a garantir que a fábrica, paralisada como está desde janeiro de 2002, “não oferece perigo à comunidade”.

Comentários

Comentários