O dadaísmo e o surrealismo, movimentos de vanguarda dos anos 20 que buscavam subverter as regras estéticas estabelecidas na época, incrementaram a fotografia, que até então era tida como simples registro ou cópia da pintura. A partir dos anos 30, novos ângulos, sobreposições e outros recursos de composição passaram a ser utilizados nas imagens, dando início a um ciclo criativo das produções culturais.
A fotografia começou a ser considerada uma manifestação artística, despertando o interesse de muitos profissionais. Há cerca de dois anos, a fotojornalista Joyce Guadagnucci está se dedicando à fotografia-arte. Sua primeira investida na área foi em 2003, quando, em parceria com a atriz Simone Violanti, realizou a mostra “Mulheres de Nélsonâ€, com fotos inspiradas na obra do escritor Nélson Rodrigues.
No início deste ano Joyce produziu uma exposição fotográfica individual. Denominada “Mulher Árvoreâ€, a mostra será inaugurada hoje, às 21h, no Templo Bar. O evento tem entrada gratuita e vai até dia 9 de novembro. O nome da exposição já sugere seu enfoque. Composto por 11 fotos em preto-e-branco, tendo como principal elemento o corpo feminino e as árvores.
O objetivo, explica a artista, é sobrepor os dois temas, “fazendo uma simbiose entre as partes e criando outras imagens, uma característica do surrealismoâ€, diz. Joyce ressalta a relação simbólica existente entre a natureza e a mulher. “Há algumas coisas que se completam e outras que se distinguem. Por exemplo, a pele da mulher, que é muito suave, e a árvore, que tem textura mais pesadaâ€, observa.
Técnicas
Joyce fez jus aos recursos utilizados pelos movimentos vanguardistas em suas fotos. Entre eles, o mergulho invertido, técnica também usada no cinema para mostrar os elementos da cena de baixo para cima. Ângulos diferenciados, texturas e formas também foram explorados pela artista.
Uma das fotos, por exemplo, compara a pele da modelo e o tronco da árvore. Outra (reprodução ao lado) exibe a suavidade do rosto feminino e das raízes da planta. “Fiz sobreposições de negativos. Primeiro fotografei só o corpo da modelo (a cantora Mara Rita Oriolo), e depois fiz as fotos das árvores e suas texturasâ€, explica Joyce, que usou como cenários estradas e pontos turísticos de Bauru e Itapuí, sua cidade natal.
Aos 28 anos, Joyce fotografa desde 1995. É formada em jornalismo pela PUC, em Campinas. Professora de fotojornalismo da Universidade do Sagrado Coração (USC) há 5 anos, ela também participou de diversas mostras coletivas. A exposição que será aberta hoje conta com assistência da fotógrafa Aline Furlanetto.
• Serviço
Mostra “Mulher-Árvore†pode ser vista gratuitamente a partir de hoje até o dia 9 de novembro, no Templo Bar.