Proclamando-se nos recessos ambientais “não haver bem que sempre dure nem mal que não tenha fim” tem-se nas profundezas da terra e nos fundos das águas vivas muita coisa para surgir, ocupar espaço durante muito tempo e, finalmente, desaparecer da vista e do contato das pessoas. E isso se é bom de um lado e mau, péssimo, de outro, vai residindo junto à humanidade, indefinidamente. Tem-se de bater palmas, contudo, só para as realizações positivas, aquelas que estabelecem o bem-estar das pessoas, fazendo-as satisfeitas consigo mesmas. Merece a assertiva alguma contestação, algum franzir de rosto? Absolutamente. No dia em que, por algum motivo, se tiver de posicionar contra, contestando-o mesmo que superficialmente, o universo se atropelará nas esquinas e se desmantelará, atingindo seu epílogo. Então, urge que não se deixe de festejar o que de auspicioso acontece e oferece motivo para se divulgar, não apenas no “maior jornal do nosso mundo”, mas, igualmente nos outros que aí estejam. E estamos tendo no momento uma grande razão para festejar: a notícia de que o desemprego profissional, há anos sufocando as entranhas de jovens e adultos, usuários de calças e de saias, estimados em 10 milhões no Brasil, começa a encolher e diminuir nos nossos quatro pontos cardeais. O amplo espaço que ele ocupa nas cidades e vilas, asfixiando as famílias atingidas pela fome, está perdendo um bocado de suas forças, prometendo desabar mais e mais, para o que não vão faltar empurrões da economia provocados pelo crescimento do consumo de bens que, com mais gente empregada e assalariada, gerará com o avanço do tempo. É o desemprego um dos males que mais precisam ter fim para “o bem de todos e felicidade geral da nação”, uma vez que para tanto não necessita de continuar lutando heroicamente, buscando afugentar a escuridão das nuvens que se colocam nos céus nacionais. É óbvio que a solução do problema não se condiciona somente às aspirações do governo, tendo-se, então, de acudir também o empresariado em geral, que, igualmente, tem suas necessidades, entre as quais redução do custo das matérias primas através da diminuição, paralela, de impostos e taxas abusivamente estabelecidos pelos poderes públicos. É a nossa opinião.
O autor, N. Serra, delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado é jornalista responsável do JC. “No arsenal inesgotável das idades, a seiva do futuro escorre da montanha sem a fronteira do tempo, sem medida para a gestação do presente e vem alimentar os lagos profundos do passado”...