Política

Nilson oferece transição sem ingerência

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

O prefeito Nilson Costa reafirmou ontem sua disposição de abrir as portas da Prefeitura de Bauru para o estabelecimento de um governo de transição, mas avisa que não permitirá ingerências do seu sucessor nos dois meses que ainda restam de sua administração. E mais: não partirá dele a provocação para se iniciar o período de transição.

“Se o novo prefeito desejar, a transição vai ocorrer com naturalidade. Mas não vou permitir contestação dentro da administração. Já basta a Câmara Municipal que faz isso de maneira exagerada”, opina. Nilson deixa claro que a manifestação do desejo de uma transição terá de partir do candidato eleito no domingo.

“Se esse for o desejo do vencedor das eleições, tudo bem. Mas não vou me oferecer. Se ele quiser conhecer os detalhes da dívida, das principais operações da administração e seus problemas, estamos aqui para exibir documentações e abrir o acesso para que, ao iniciar o governo, as coisas sejam facilitadas”, comenta.

Ele lembrou de um prefeito eleito que não quis viabilizar a transição antes de assumir o governo. Embora Nilson tenha omitido o nome, trata-se de Antonio Izzo Filho, eleito prefeito em 1996, ao final da gestão de Tidei de Lima (PMDB). Tão logo assumiu a prefeitura, em 1 de janeiro de 1997, Izzo registrou um Boletim de Ocorrência (BO) no Plantão Policial contra o antecessor.

O prefeito, no entanto, reforça que é preciso haver demonstração de interesse por parte do seu sucessor. “A partir daí, vamos iniciar os entendimentos”, diz. Ele informa que nos principais setores da administração são emitidos relatórios diários que retratam com fidelidade o quadro pontual da administração municipal.

“O jurídico tem informações dos processos básicos. Nas secretarias de Obras e Planejamento é possível analisar os projetos que serão aplicados no futuro Plano Diretor. Se houver interesse, queremos facilitar a tarefa de quem vai assumir”, reforça.

Na avaliação dele, os dois meses que restam de seu governo são suficientes para colocar a par da situação a futura equipe que assumirá a administração. “Temos todo o controle financeiro da prefeitura. Os balanços são feitos diariamente. A cada quadrimestre, o Tribunal de Contas do Estado, o TCE, está aqui para examinar e fiscalizar”, informa.

Nilson reclama dos ataques que os candidatos a prefeito fazem a sua administração. “Falam coisas que não são verdadeiras, alegações impróprias. Não temos como nos defender, não temos acesso ao horário eleitoral de propaganda gratuita para contestar. As coisas são ditas como se fossem verdadeiras. São manifestações de hostilidade à atual administração”, enfatiza.

O prefeito garante, porém, que essa situação de ataque dos candidatos não vai se configurar em impedimento para um governo de transição. “Acho que Bauru é maior do que essas jogadas eleitorais. A gente releva isso em função do interesse da população”, finaliza.

Consultados sobre se havia interesse, uma vez eleitos, em abrir um processo de transição na prefeitura, os candidatos Caio Coube (PSDB) e Tuga Angerami (PDT) foram unânimes ao afirmar que vão solicitar ao prefeito Nilson Costa a abertura do processo.

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