Polícia

Cônsul do Japão em SP aponta vantagens da polícia unificada

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

Após acompanhar seis policiais japoneses em visita a delegacias e presídios de Bauru e região na segunda-feira e anteontem, o cônsul do Japão em São Paulo, Hirofumi Ohkuma, avaliou que a polícia unificada, modelo adotado em seu país, é mais fácil de ser administrada e pode trazer mais resultados.

“O que nos chamou a atenção, que é muito diferente do Japão, é que aqui vocês têm três polícias: Civil, Militar e Científica, uma independente da outra. No Japão, temos uma única polícia. E acredito que isso a torna mais eficaz”, disse ressaltando que apóia o projeto para unificação das polícias no Brasil.

Também surpreendeu os japoneses as condições de trabalho dos policiais brasileiros. “Aqui, pelo que vimos, o policial corre mais perigo porque o criminoso usa arma de fogo, o que não é comum no Japão. Mas percebemos que o policial, apesar do salário, é dedicado, se empenha”, comenta.

De Bauru, os policiais japoneses levaram uma experiência que, para eles, é nova. “Ficamos encantados por vocês terem uma delegacia só para atender mulheres. Acho que isso facilita uma mulher vítima de estupro, por exemplo, procurar a polícia. Lá no Japão não temos esse tipo de serviço”, compara.

Na opinião do cônsul, para combater a criminalidade, o Brasil precisa gerar empregos. “Se a economia consegue gerar empregos, a tendência é a queda nos crimes. Não é só a força policial que combate criminalidade”, frisou.

Intercâmbio

Os policiais japoneses vieram ao Brasil para conhecer a realidade social e carcerária do País para saber mais sobre o ambiente em que viviam os brasileiros que foram trabalhar no Japão. A visita fez parte de um programa especial da Agência Nacional de Polícia daquele país, que procura uma forma adequada de atender os cidadãos brasileiros que cometem infrações penais no Japão.

A preocupação é em razão de um aumento nas ocorrências policiais envolvendo brasileiros no Japão. Segundo estimativas, cerca de 270 mil pessoas deixaram o Brasil para viver “do outro lado do mundo”.

O problema com o idioma tem sido um dos grandes entraves para o entendimento de ambos os lados. Por esse motivo, os policiais japoneses aproveitaram o intercâmbio para aperfeiçoar o conhecimento da língua portuguesa.

Visitaram Bauru representantes das províncias de Tóquio, Nagano, Kyoto, Shiga, Shizuoka e Hyougo. Em Bauru, a comitiva foi recepcionada pelor diretor do Departamento de Polícia do Interior (Deinter-4), Orlando Miranda Ferreira.

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