A Polícia Militar (PM) de Bauru pretende reforçar a fiscalização eletrônica no trânsito da cidade. A proposta da corporação é aumentar de 11 para 17 o número de radares fixos em operação e, além disso, instalar 21 câmeras fotográficas em semáforos com o objetivo de punir os motoristas que desrespeitam o sinal vermelho.
Segundo o comandante do Pelotão de Trânsito da PM, tenente Fabiano de Almeida Serpa, a sugestão foi encaminhada no início da semana à Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), a quem cabe a aquisição e o gerenciamento dos equipamentos.
Serpa explica que o intuito da polícia é diminuir o número de acidentes verificados no município. Somente em 2004, 19 pessoas morreram no trânsito da cidade. “Temos registrado pessoalmente, durante o patrulhamento, um abuso constante de velocidade por parte dos condutores de veículos”, argumenta.
Ele relata que os pontos para instalação dos radares e câmeras fotográficas foram sugeridos com base nos levantamentos estatísticos de acidentes elaborados pela corporação. “São locais que registram grande fluxo de veículos”, destaca.
No caso dos semáforos, um sensor instalado no solo é acionado sempre que o equipamento estiver com o sinal vermelho aceso. Enquanto ele permanecer ligado, todo veículo que passar pelo local é fotografado e autuado. A infração é gravíssima e prevê sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH), além de multa de R$ 191,54.
“O desrespeito ao semáforo está sempre entre as três infrações de trânsito mais registradas. Na maioria das vezes, no entanto, não é possível para o policial parar o veículo. A multa é feita, mas gera muita reclamação e contestação. Já a fotografia é uma prova que não pode ser contestada”, comenta Serpa.
De acordo com ele, esse é o mesmo problema verificado quando o radar móvel é usado. “Ele também requer algumas providências administrativas conjuntas entre a PM e a Emdurb, o que dificulta sua utilização”, declara.
Fábrica de multas
O comandante do Pelotão de Trânsito garante que o objetivo da PM não é aumentar o número de multas, mas sim educar os motoristas. “Não queremos que a Emdurb coloque todos os equipamentos em operação simultaneamente. Nossa sugestão é que seja adotado o mesmo esquema de rodízio que existe atualmente”, argumenta.
Dos 11 radares móveis em funcionamento, apenas dois são responsáveis pelas autuações a cada período. Nesse ano, até o final de agosto, a Emdurb registrou 9.820 multas por excesso de velocidade.
O motorista que é flagrado transitando com uma velocidade até 20% acima do permitido naquele trecho paga R$ 191,54 de multa e soma sete pontos na CNH. Quando o excesso ultrapassa esse índice, o valor da infração sobe para R$ 574,62 e o condutor tem sua carteira suspensa.
A assessoria de imprensa da empresa municipal informou que o ofício encaminhado pela PM ainda não foi analisado, mas adiantou que a aquisição de novos equipamentos depende de licitação, o que inviabiliza a sua instalação imediata.
Ainda de acordo com a assessoria de imprensa da Emdurb, o aluguel de cada radar em operação no município custa, mensalmente, R$ 50 mil aos cofres da empresa municipal.
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Reclamações
Entre os motoristas ouvidos pela reportagem, a possibilidade de Bauru contar com mais 27 pontos de fiscalização eletrônica de trânsito é rejeitada. Para José Roberto Teixeira, os radares existentes na cidade são mais do que suficientes. “Já temos multas demais e não acho que novos equipamentos resolverão o problema”, opina.
A motorista Maria Eduarda Freitas concorda. “A polícia e a Emdurb (Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru) deveriam pensar em campanhas educativas, e não em mais radares”, comenta.
O advogado Pili Cardoso, que atua na área de trânsito, acredita que a lombada eletrônica é mais eficaz do que o radar. “A longo prazo, ela tem um caráter educativo, que na minha opinião é mais importante do que a fiscalização”, argumenta.
Cardoso é favorável à instalação das câmeras fotográficas nos semáforos, mas faz uma ressalva. “O único problema que eu vejo é a questão da segurança durante a noite”, destaca.
O comandante do Pelotão de Trânsito da Polícia Militar, tenente Fabiano de Almeida Serpa, afirma que esse tipo de preocupação pode ser solucionado com um estudo sobre a viabilidade do equipamento ficar desligado durante a madrugada.