Política e religião são manifestações inerentes exclusivamente à natureza humana. Tendo em vista que são bastante comuns afirmações no sentido de que não são miscíveis, ou seja, não se misturam, buscaremos identificar relações existentes entre ambas para confirmar ou desconstruir esse conceito de que não convivem em harmonia.
Nesse sentido, definiremos política como todo e qualquer jogo de influência dentro das relações humanas que, se incorporada dos partidos (esfera do poder), sua ordem subjacente, implica numa importante ação social de relação associativa, planejada para determinado fim. Política é poder!
Já peligião pode significar “religare” (ligar, reatar), “relegere” (cuidar, reler), ou “re-eligere” (re-escolher): é a linguagem com a qual uma coletividade fala de Deus, fala com Deus, recebe a fala de Deus e a fala de fé dos outros, podendo se manifestar na escolha dos símbolos, nos ritos, na organização religiosa da comunidade, nas normas éticas, nas leis, nas celebrações, na definição do que é sagrado, etc.
A experiência religiosa em sí é impenetrável, por ser única, pessoal, um modo de o indivíduo se transcender alcançando o deus, o divino. Esse sentir é inenarrável. A vivência de uma religião implica também a aceitação de um universo cultural, um modo particular de perceber, situar e nomear o sagrado e o divino. Religião é fé!
Como ficou evidenciado, tanto a política quanto a religião constituem linguagens, canais de ligação na busca do bem: - aquela nas relações humanas e esta nas relações com Deus. Mas são apenas instrumentos. Quem dá sentido ou essência a ambas é a pessoa humana, ou seja, se utilizamos o amor, na política ou na religião, falaremos de bem, dialogaremos com Deus e assim elas poderão conviver sim, no bem.
Tito Pereira - CRO/DF-546